Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 01/01/2021

Émile Durkheim, sociólogo francês, afirmava que, em uma solidariedade orgânica, para haver harmonia, cada parte do corpo social teria de cumprir sua funcão, a fim de que não ocorresse uma patologia social. Entretanto, percebe-se que essa tese não tem sido colocada em prática, visto que persistem os desafios para a preservação do Patrimônio Histórico Cultural brasileiro. Isso acontece devido não só à negligência do Estado, mas também à deficiente atuação das famílias e das escolas.

Inicialmente, ressalta-se que a negligência do Estado contribui diretamente com o abandono e a falta de cuidado de grande parte dos patrimônios materiais do país. Essa realidade é constatada pelo baixo investimento na manutenção e no melhoramento das obras arquitetônicas mais antigas. Nesse contexto, grandes centros científicos, como o Museu Nacional, sofre com a irresponsabilidade do Poder Público, pois, sem uma revisão periódica em suas estruturas, a chance da ocorrência de incêndios e desmoronamento aumenta, fato comprovado em 2018 com a destruição desse monumento no Rio de Janeiro. Dessa forma, a sociedade perde conhecimentos irreparáveis e objetos que fazem parte do início da história nacional. Além disso, o Brasil deixa de melhorar a economia  por meio do turismo nas cidades históricas, o que gera desemprego e a pouca visibilidade desses locais.

Outro fator importante a ser frisado é a ineficiente participação das famílias e escolas no sentido de dar a real importância e de se mobilizarem a favor do melhoramento do Patrimônio Histórico Cultural. Nessa perspectiva, conforme o educador brasileiro Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Desse modo, se, desde a fase infantil, tanto no âmbito escolar quanto no familiar, não for ensinado aos cidadãos sobre a valorização dos museus, teatros, centros históricos, bem como a cobrança das autoridades pela preservação e  proteção desses ambientes, eles tenderão a presenciar passivamente a destruição da história materializada das principais formas de registros da humanidade.

Evidencia-se, portanto, que medidas são nessárias para solucionar o impasse. Nesse viés, cabe ao Estado, na figura do Ministério da Cultura, por meio de investimentos governamentais, ampliar o melhoramento do Patrimônio Histórico Cultural do país, com o intuito de não apenas preservar e proteger os monumentos históricos, mas também fortalecer o setor do turismo, que poderá ajudar na geração de empregos e no aumento de visita às cidades. Por fim, o Ministério da Educação, em parceria com as famílias e as escolas, mediante palestras, aulas e o diálogo, deve ensinar desde cedo as pessoas a lutarem pela preservação da memória material e imaterial da cidade em que reside, com a finalidade de que as futuras gerações também desfrutem do conhecimento dos antepassados.