Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 19/08/2019
A cultura por um fio
Fiação exposta. Não há planos de emergência. Línguas sendo mortas. Desvalorização de artistas locais. Gerações sem conhecer manifestações culturais da região na qual vive. Esse é o retrato da preservação do patrimônio histórico brasileiro, fator fundamental para que a sociedade possa perceber o mundo no qual vive.
O abandono do Museu Nacional no Rio de Janeiro exemplifica a maneira como o Poder Público trata o patrimônio cultural brasileiro, embora o artigo 216 da Carta Magna deixe claro que é dever do Estado e da comunidade promover e proteger o acervo cultural do país. Esse museu, por exemplo, abrigava registros de línguas indígenas que não há mais falantes vivos e provavelmente foi perdido para sempre no incêndio causado pelos vários fios expostos presentes no local. Tendo em vista que um patrimônio grandioso como esse não estava protegido, as várias manifestações culturais existentes em pequenas regiões do país, possivelmente, já foram esquecidas.
A preservação da cultura é fundamental para se sentir pertencente a um povo. A antropóloga norte-americana Ruth Benedict diz: “a cultura é a lente pela qual nós vemos a realidade”. Isto é, para que exista percepção de realidade, é necessário que exista valores adquiridos durante o processo de socialização com o grupo em que se vive. Além disso, a preservação de patrimônios históricos serve para lembrar como a humanidade já foi capaz de praticar diversos crimes contra os direitos humanos. O título de Patrimônio Mundial da Unesco dado ao Cais de Valongo, único vestígio material do tráfico de negros da América, serve de alerta para a violência cometida pelos homens e reflete a importância econômica, social e cultural dos negros para a formação da população brasileira, por exemplo.
Logo, é fundamental que a sociedade seja “alfabetizada culturalmente” para que o indivíduo possa entender o mundo que o rodeia e consiga compreender o universo sociocultural e a trajetória histórico-temporal na qual pertence. Esse conhecimento pode ser conseguido por meio da educação patrimonial que é tão ausente nas escolas brasileiras, por isso é necessário que o Ministério da Educação junto com o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) criem um projeto educativo para os centros de ensino do país. As diretoras precisam ter acesso ao Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) para que possam educar os seus professores por meio das pesquisas do IPHAN e, consequentemente, seus alunos. Isso ajudará na transmissão de conhecimento a gerações mais novas, promoção do bem cultural, valorizar mestres e executantes ao chamá-los para as escolas e organizar atividades que envolvam toda a comunidade.