Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 19/08/2019

No filme Vingadores: Ultimato o vilão thanos, em sua segunda investida para concretizar sua ideia de universo em equilíbrio tem a ideia de destruir o universo e recomeçá-lo para que todas as pessoas desse novo mundo nunca soubessem do que havia antes e, assim, nunca se rebelassem contra sua tirania. Longe da ficção, nos dias atuais, a destruição da memória de um povo, ou seja, de seu patrimônio histórico se mostra como um mecanismo de alienação em massa. Nesse sentido, é necessário analisar tal quadro, intrinsecamente ligado a aspectos ideológicos e educacionais.

Em primeiro lugar, é imperioso destacar que o desmantelamento do patrimônio histórico e cultural brasileiro serve a um propósito de revisionar a sua história para impor novas visões ao acontecimentos passados. Dessa forma, o esquecimento desses fatos, além da perda da identidade cultural, desnuda o perigo de se cometer os mesmos erros do passado. Para ilustrar, a falta de incentivos fez com que o museu da força expedicionária brasileira (FEB), que relata a história dos soldados brasileiros que serviram ao lado dos aliados na segunda guerra mundial, fosse fechado. Sob tal ótica, o fim de espaço que era símbolo da luta contra um sistema autoritário para as gerações que não viveram o terror do regime nazista contribui para o crescimento do neonazismo e neofascismo no Brasil.

Em segundo plano, é imperativo destacar o valor do processo educacional na formação de indivíduos conscientes da importância da preservação do patrimônio histórico e cultural brasileiro. Paulo Freire, em sua obra A Pedagogia Do Oprimido, ressalta a importância de uma educação horizontal, onde o aluno tenha um participação mais ativa no processo de aprendizado. Sendo assim, ele se torna um questionador da situação em que está sujeitado e não uma pessoa que simplesmente aceita os fatos expostos. Com base nisso, as aulas de história aliadas ao patrimônio histórico ainda preservado serviriam como um mecanismo poderoso na formação de indivíduos que conhecem e compreendem seu passado e usam isso como ferramenta na construção de um futuro melhor.

Depreende-se, portanto, a necessidade da preservação do patrimônios histórico e cultural brasileiro. Para tanto, cabe ao ministério da educação a criação de campanhas  de conscientização em escolas e espaços públicos, por meio de palestras com historiadores, indígenas e quilombolas para conscientizar a população acerca da importância da preservação dos registros históricos. Além disso, o poder judiciário deve aumentar os recursos disponíveis para restauração de museus e obras de arte por meio de alteração na lei Ruanet. Quiçá, assim, tal hiato se reverterá a médio prazo sobretudo sob a perspectiva brasileira, e uma sociedade que preserve sua história através do questionamento do seu passado se concretize, fazendo “jus” ao que apregoava Paulo Freire.