Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 26/08/2019

“No meio do caminho tinha uma pedra”. O verso, de Carlos Drummond de Andrade, parece mostrar que algo interfere na trajetória do eu lírico. Dessa forma, posicionando a obra na atual conjuntura brasileira, pode-se afirmar que a questão da não preservação do patrimônio histórico e cultural do Brasil pode ser interpretado como um obstáculo que impede a caminhada do país, implicando em perdas irreparáveis de memória, cultura e história de uma nação.

A priori, é possível dizer que a destruição do patrimônio cultural tem como consequência uma perda inestimável da história. Com isso, é oportuno destacar a falta de investimentos para a melhoria de museus que podem culminar na perda total ou percentual de artefatos valiosos, revelando o descaso e inanição do poder público em construir medidas de manutenção que assegurem a preservação e proteção da materialidade e imaterialidade cultural. Essa realidade representa, de acordo com as ideias do filósofo John Locke, uma violação do Contrato Social, já que o Estado não cumpre com sua função.       Por outro lado, é inegável que o homem contemporâneo é influenciado diretamente pelo seu modo de vida capitalista. Explica-se então, porque o brasileiro não encontra valor no seu patrimônio histórico: ele o enxerga como uma mera mercadoria, que serve ou deveria servir apenas à lógica da compra e da venda. Consoante ao pensamento de Schopenhaur, de que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca, pode-se dizer que enquanto essas perdas não afetarem a vida da população, esta não dará importância.

Compreende-se, portanto, a necessidade de maior aplicação de investimentos derivados do Ministério da Cultura para garantir a perpetuação dos valores histórico-culturais. Ademais, deve haver o incentivo pela busca e cuidado para com os patrimônios através de palestras, passeios escolares e estudos sobre as artes brasileiras, realizados pelo MEC em parceria com as escolas –máquinas socializadoras- públicas e privadas. Cabe também à sociedade, promover manifestações coletivas nas ruas e nas redes sociais, para conter a perda sucessiva de elementos sociais irrecuperáveis. Dessa maneira, haver-se-á uma sociedade mais preocupada com suas origens e capaz de acessar democraticamente seus bens.