Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 12/09/2019

Poder histórico

Consoante a descrição de poder de Nicolau Maquiavel, o governante deve se afixar, dentre outros recursos, ao passado para prosperar. Nesse sentido, o filósofo dita a história como fonte de entendimentos e respostas ao considerá-la cíclica. Paralelamente, observa-se nos patrimônios nacionais a marca histórica herdada para a resolução de questões das novas gerações: de certo, os registros materiais e imateriais de diferentes épocas trazem ao Brasil evidências às pesquisas e ao desenvolvimento, além de afirmar a identidade cultural de sua nação. Todavia, o descaso hodierno perante a conservação do acervo histórico acarreta malefícios aos seus fins.

À priori, é importante destacar que, em função da negligência governamental, o patrimônio histórico sofre constantes ameaças no século XXI. A partir dos frequentes desvios de verba, instituições culturais como museus, pinacotecas e exposições encontram-se sucateadas pela falta de manutenções e cuidados. Nesse cenário, o Museu Nacional destaca-se pelo incêndio que, em 2018, dizimou maior parte de seu acervo material; assim como o fóssil mais antigo das Américas,“Luzia”, que contestou teorias sobre o surgimento da humanidade. Assim, as pesquisas científicas são defasadas no país culminando na retroação do seu desenvolvimento.

Outrossim, presencia-se a deterioração do imaginário popular quanto à identidade cultural brasileira. Nesse ínterim, o Museu da Língua Portuguesa de São Paulo conservava um acervo digital de patrimônio imaterial linguístico, no entanto, suas condições de funcionamento acarretaram em falha no sistema elétrico do estabelecimento, causando seu incêndio em 2015. Por outro lado, a burocratização dos processos de tombamento de patrimônios étnicos patrocinam a estagnação da valorização da diversidade cultural, enfraquecendo suas tradições.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para mitigar as mazelas causada à comunidade científica, urge que o Ministério da Educação crie, por meio de verbas governamentais, programa de incentivo ao desenvolvimento de pesquisas pelas universidades. Logo, deve disponibilizar novas bolsas de pesquisa para estudantes que se encaixem nos critérios determinados. Ademais, o Governo Federal - como gestor das iniciativas nacionais - deve adotar política de conservação e estímulo da cultura e suas instituições referentes. Sendo assim, a promoção de eventos nacionais como a Bienal do Livro é necessária. Somente assim, será possível utilizar-se da história como recurso maquiavélico.