Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 16/10/2019
Na obra “Cegueira Moral”, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, é relatada a falta de sensibilidade da sociedade em meio às dores do indivíduo, em conjunto com a ausência de sentido da palavra comunidade, em um mundo imerso no individualismo. Nesse contexto, ao se analisar a omissão na preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro, percebe-se que a indiferença descrita por Bauman é extremamente presente nos problemas do século XXI. Esse cenário é fruto tanto da carência de políticas preservativas, quanto da depredação por vandalismo. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de que se retome o sentido da palavra comunidade nesse século.
Precipuamente, é fulcral pontuar que os desgastes, ocorridos em patrimônios históricos, derivam da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismo que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Entretanto, isso não ocorre no Brasil, devido a falta de atuação das autoridades, na manutenção dos bens históricos culturais. Em consequência disso, uma parte da história vem sendo apagada, vitimas da negligência do Estado, em exemplo, o fato ocorrido em 2018 no Museu Nacional, situado no Rio De Janeiro, no qual, um incêndio, ocasionado por falta de manutenção, destruiu todo o estabelecimento. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura Estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar os atos de vandalismo como promotor do problema. Conforme o sociólogo alemão Ralf Dahrendorf no livro " A lei e a Ordem", a anomia é a condição social em que as normas reguladoras dos comportamentos das pessoas perdem sua validade. De forma análoga, nota-se que as leis que regulamentam a preservação histórica encontram-se em estado de anomia, pelo fato de serem infringidas, constantemente, por vândalos. Em decorrência desse pressuposto, o patrimônio histórico não está sendo respeitado, pois de acordo com uma notícia publicada no portal de notícias G1, 79% dos monumentos culturais, situados em áreas públicas, já sofreram depredação por atos de vandalismo. Por certo, essa atitude contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Portanto, é possível defender que impasses econômicos e sociais constituem desafios a se superar. É fundamental, em vista disso, que o Tribunal De Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Cidadania, será revertido em manutenção e fiscalização dos monumentos históricos culturais, mediante a contratações de agentes de restauração e policiamento - esses agentes serão divididos em áreas nos municípios e o policiamento será feito por rondas, em parceria com a polícia militar -. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da depredação do patrimônio histórico e a coletividade contornará a Cegueira Moral de Bauman.