Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 08/10/2019
Lima Barreto, autor de “O Triste Fim De Policarpo Quaresma” retrata em sua obra uma distopia no qual ressalta, em 1915, a depreciação popular diante ao patrimônio histórico e cultural, devido a falta de reconhecimento historiográfico e ao descaso estatal. Diante disso, por se tratar de um registro ufanista, tem-se a obra como um reflexo do Brasil atualmente, visto que fatores dessa problemática mostram-se evidentes no cotidiano. Dessa forma, faz-se necessário, a análise urgente desse quadro social, em que a omissão do estado e a carência de valorização histórica e cultural são preponderantes nessa questão.
Em primeira análise, a “Teoria Da Tábula Rasa” proposta pelo filósofo John Locke, o qual disserta sobre o meio ser constituído por experiências positivas e negativas que influenciam em seu desenvolvimento. Diante dessa óptica, a omissão do estado interfere diretamente nas condições de atuação de museus, teatros e bibliotecas; ficando suscetíveis, dessa forma, a condições insalubres e precárias, evidenciando, assim, o descaso para com a preservação da história nacional por parte do governo. Como consequência dessa precariedade de ações visando a conservação desses patrimônios nacionais, desencadeiam-se acidentes e putrefações, colocando em risco a perda definitiva de registros únicos de povos e nações.
Ademais, a carência de valorização da história e da cultura são reflexos de um sistema de ensino falho, que articulam cabeças para pensar de forma massiva, mas não estimulam o pensar individual e criativo, assim como, o acesso aos meios culturais-cinemas, teatros, museus-são restritos a uma minoria capaz de se locomover e deter renda para paga-los, enquanto uma maioria fica suscetível a ignorância acerca de sua identidade histórico-cultural.
Diante do exposto, portanto, faz-se necessário a aprovação de projetos de leis como a 108 35/18, a qual tramita pelo congresso, que alteraria a Lei Rouanet -atua na proteção de museus, bibliotecas e arquivos brasileiros- ampliando os recursos destinados a proteção do patrimônio histórico e cultural, dessa forma, desarticulando o atual cenário de omissão do governo, assim como, a instauração de aulas de história da arte nas grades das escolas publicas e estaduais e promovendo passeios escolares gratuitos em meios culturais a fim de estimular o conhecimento e reconhecimento desses patrimônios brasileiros, desfazendo, portanto, o cenário transcorrido por Lima Barreto em 1915 de distopia em ‘O Triste Fim De Policarpo Quaresma".