Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 14/10/2019

Segundo o sociólogo jamaicano, Stuart Hall, o processo de interconexão global criou um sentimento de instabilidade na identidade moderna, visto que o indivíduo passou a se distanciar da própria cultura. Sob tal ótica, a preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro se torna alvo de intensos debates hodiernos. Diante disso, é evidente analisar que a soberania da cultura exterior e a ínfima organização governamental são reflexos de tal aspecto.

Em primeira instância, Gonçalves Dias, poeta romântico da primeira geração, cantou as belezas do Brasil na “Canção do Exílio”, em que o território composto por palmeiras, sábias e várzeas foi ressaltado. Nesse sentido, tem-se que quando os lusitanos chegaram em terra brasileira, em 1500, diversos outros povos buscaram também o conhecimento de tal território, como asiáticos, europeus e africanos, o que fez com que o aspecto cultural nativo enriquecesse com diferentes costumes, pessoas e culinária. Entretanto, os brasileiros, muitas das vezes, não valorizam a miscigenação e a riqueza do país, já que, a população prefere a compra de produtos de outros países, viajam e exaltam a beleza do exterior e querem mudar para outra região. Desse modo, a valorização cultural e histórica brasileira se torna enfraquecida.

Em segundo plano, em setembro de 2019 ocorreu o incêndio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, no qual abrigava passados fundantes para a construção da historicidade da nação brasileira. Decorrente disso, é fundamental ressaltar que os representantes nacionais, assim como, o povo não mostra a suficiente preocupação com essas questões do corpo social. Visto isso, em 2019, com a presidência do Jair Bolsonaro, outro fator cultural é atingido, isto é, o Ministério da Cultura foi revogado, ou seja, o âmbito que engradecia os itens culturais e materializava a história nacional foi exterminado. Dessa forma, é perceptível que a cada decisão ou proposta, a identidade brasileira se torna menos valorizada e reconhecida, o que pode prejudicar a sociedade futuramente.

Infere-se, portanto, que é imprescindível a mitigação dos entraves para a preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro. Para que isso ocorra, é importante que o Ministério da Educação, principal órgão da formação de projetos escolares, implante nas escolas aulas destinadas ao debate da identidade nacional e além disso, possa ser questionado meios de solucionar os embates enfrentados para a valorização desse aspecto, isso ocorrerá por meio do auxílio da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Assim, os estudantes, futuros responsáveis no corpo social brasileiro, poderão formar ideias e senso crítico do que ocorre no país. Ademais, cabe ao Governo Federal, destinar verbas para promover atividades em praças, em que ocorra  o discurso e a abordagem de conceitos históricos.