Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 22/10/2019
O escritor Nelson Rodrigues define a identidade pátria no espectro do “complexo de vira-lata”, termo que expõe a inferioridade que o brasileiro se coloca frente ao mundo. Nesse sentido, esse narcisismo às avessas se constrói em um contexto histórico de desvalorização do nacional. Por certo, esse desprezo, que precisa ser revertido, é reflexo da falha preservação do cabedal cultural, não só pelo descaso público, como também pela insuficiente utilização educacional.
A priori, é imperioso destacar os impactos negativos do desleixo do governo para com a manutenção das riquezas históricas do país. Desse modo, a escassez de investimentos deixam esses bens, materiais e imateriais, a mercê da deterioração do tempo, enfraquecendo o legado social em que aquele valor foi constituído. Por exemplo, o Museu Nacional, em 2018, sofreu um incêndio devido a falta de manutenção da rede elétrica, por consequência: perda de um acervo de 20 milhões de itens. Assim, nota-se a nocividade do papel lacunoso do Estado.
Outrossim, cabe analisar os efeitos da exploração educacional diminuta para com ícones da memória comunitária. De certo, a estruturação de uma educação sem o protagonismo identitário explica essa depreciação. Como resultado, em 2013, o centro histórico de Olinda foi danificado, no carnaval, pela ação de foliões, gerando revolta nos moradores. Pois, inexiste consciência de pertencimento e respeito, por não haver compreensão do valor daquele lugar, cabendo uma reformulação educacional e cultural.
Evidencia-se, portanto, que a preservação do patrimônio histórico e cultural é fortalecida em uma comunidade engajada. Logo, cabe ao Ministério da Educação atuar em civilidade identitária nas escolas, por meio da enfatização desse tema nas disciplinas de humanidades, as quais apresentarão, em aulas e visitas guiadas, a construção social regional, a fim de mitigar esse descuidado com o que é público. Além disso, o Estado deve investir na manutenção e divulgação desses símbolos, por meio da criação de eventos e mais investimentos no setor, buscando autoafirmação.