Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 18/10/2019
Thanos, vilão do filme “Vingadores: Ultimato”, viaja para o futuro apenas para descobrir que seu plano de assassinar aleatoriamente metade da vida na Terra fracassou: os Vingadores, sofrendo perdas, descobrem uma forma de trazer todos de volta. Nesse sentido, o titã percebe que, em verdade, teria que apagar a memória dos 50% remanescentes, para que estes não tenham consciência do que ocorreu e prosperem alienados. Fora da ficção, é fato que a longa demostra como o passado é essencial para a realização de uma análise crítica do presente, nesse sentido, a preservação do patrimônio histórico cultural é essencial para a memória dos valores da nação, já que somente com ela é possível fazer uma análise crítica do presente.
Concomitantemente, essa conjuntura de acordo com as ideias do contratualista John Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de destinar parte dos impostos recolhidos pela Receita Federal, para a preservação e manutenção dos estabelecimentos e monumentos históricos do país. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a falta de investimento no setor cultural rompe essa harmonia; haja vista os impasses que a destruição desses patrimônios desencadeiam para as gerações futuras.
Outrossim, uma marca importante da construção histórica são as estátuas espalhadas pelo Brasil, esses também são patrimônios que devem ser protegidos e, cabe não apenas o Estado preservar, mas também a população, sem depreciar e depredar a memória materializada, para que assim, todos colaborem para salvaguardar a história do país. Outro ponto, que merece um olhar atento, harmoniza-se com a visão do escritor José Saramago de que são os próprios habitantes que atuam diretamente na manutenção das tradições. Conforme advoga o pensador português, o sujeito contemporâneo, conduzido pela cegueira moral, age de maneira irracional. Nesse sentido, nota-se que a educação patrimonial é um passo fundamental na configuração das questões estruturantes da sociedade.
Portanto, faz-se necessária a intervenção civil e estatal. O Estado, nesse contexto, carece de fomentar práticas públicas, tal como a inserção na grade curricular do conteúdo “patrimônio histórico e cultural”, por meio do engajamento pedagógico às disciplinas de Filosofia e Sociologia, a fim de que seja debatido a temática do respeito às preservações dessas heranças, e que seja ressignificado a mentalidade arcaica no que tange à destruição e vandalização das mesmas. É imperativo, ainda, que a população, em parceria com as escolas, promovam eventos plurissignificativos, por meio de pesquisas de campo para esses locais, para que fomentem a importância da matriz histórica e cultural do país. Só assim, poderemos fazer uma análise crítica e superar as perdas deixadas pelas ações de Thanos.