Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 28/10/2019

Na obra literária “Raízes do Brasil” de Sérgio Buarque de Holanda o autor discorre sobre a busca da identidade nacional. Para tanto, o livro introduz o conceito de homem cordial que consistia na busca da essência do que é ser brasileiro. Fora da literatura, verifica-se uma ávida procura por essa “brasilidade” que, por sua vez, relaciona-se diretamente com a preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro. No entanto, tal resguardo enfrenta desafios com o descaso estatal no que tange à manutenção patrimonial e a valorização da cultura nacional.

Em primeiro lugar, cabe ressaltar que durante a Semana de Arte Moderna de 1922, diversos autores reuniram-se no Palácio Municipal de São Paulo e proclamaram a ruptura com modelos tradicionalistas da arte estrangeira e a valorização artística do fazer puramente brasileiro. Contudo, apesar desse movimento ter sido precursor do Modernismo no Brasil, o Estado continuou a agir com displicência em relação à cultura da pátria. Nesse sentido, conforme a revista Veja, o descaso recorrente com o acervo do país ocasionou o incêndio do Museu Nacional em 2018, que segundo ela constitui um dos maiores abrigos da identidade nacional brasileira.

Outrossim, destaca-se a proliferação de um conceito histórico conhecido como “American Way of Life” que consistia em enaltecer o estilo de vida norte americano e, por conseguinte, desvalorizar a cultura brasileira em seu próprio território. Ademais, o filósofo Nietzsche deixa claro em suas obras que o homem é efeito de sua cultura, haja vista que segundo ele, ela é modeladora da opinião individual e pública. Sendo assim, a “brasilidade” buscada em “Raízes do Brasil” será encontrada quando a nação reconhecer e apossar da vastidão que abarca a cultura brasileira, no ato de desvencilhar-se dos estrangeirismos impostos conforme proposto pela Semana de Arte Moderna.

Portanto, é mister que o governo federal aliado ao MEC – Ministério da Educação e Cultura- propague nas comunidades escolares a importância da valorização do vasto patrimônio cultural brasileiro, por meio da criação de projetos escolares que possibilitem aos alunos da rede pública visitarem museus e centros históricos nacionais, aliado a inserção do estudo cultural do território através da distribuição de livros, palestras e oficinas que ensinem a história do Brasil de maneira não europeizada. Além disso, tais medidas devem ser divulgadas nas páginas oficiais do governo e suas nas mídias sociais como Facebook e Instagram para que esse conhecimento alcance o maior número de cidadãos. Com isso, a cultura do país será difundida e valorizada, o que propiciará a descoberta efetiva das raízes do Brasil, da essência do homem cordial e saciará a busca ávida e secular pela brasilidade.