Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 31/10/2019

Stuart Hall, sociólogo jamaicano, em seu conceito de Identidade Pós-Moderna, apresenta um sujeito desprovido de sensação de pertencimento, visto que possui uma construção fragmentada de sua personalidade cultural. Tal concepção é prejudicial ao processo de preservação do patrimônio cultural brasileiro. Afinal, é possível admirar aquilo que é desconhecido?

É imperioso analisar, primeiramente, a falha educacional como influência sobre a tônica. Para John Locke, filósofo contratualista, o homem é como uma tábula rasa, ou seja, é capaz de assimilar tudo aquilo que lhe é exposto. Na sociedade atual, a educação é a responsável por compor a tábula alheia e, quando essa não é eficiente, não concretiza o processo de pertencimento nacional. Tal contexto é ilustrado pela ausência de expressão de personagens históricos minoritários, como negros e indígenas, no centro da narrativa apresentada no meio escolar, gerando a falta de interesse dos educandos, que não se sentem pertencentes a essa. Logo, a ingerência educacional interfere, negativamente, na preservação da história e cultura nacional, tornando necessária a promoção das diversas vozes constituintes do Brasil, para que, através da representatividade, sejam formados jovens engajados na preservação do meio.

Em segunda instância, é de suma importância elencar a globalização como motor do revés. Ela consiste numa eliminação de barreiras culturais e comportamentais entre as nações, a qual busca padronizar essas esferas a nível global. Baseando-se nesse fenômeno, é notório que tal homogeneização faz com que as formas de expressão dominantes sejam priorizadas em detrimento do patrimônio cultural local. Um exemplo claro é a presença e manifestação constante dos ‘‘fast foods’’, de origem norte americana frente ao desconhecimento, por parte da maioria da população, de pratos típicos, como moqueca e acarajé, exemplares da cultura nacional. Assim, faz-se fundamental o incentivo à expressão cultural brasileira.

Em suma, torna-se essencial o reconhecimento do patrimônio cultural e histórico nacional para que eles sejam preservados. Para tal, é dever do Ministério da Educação, fomentar o ensino dos diferentes pontos de vista históricos, através da contratação de profissionais de história e sociologia especializados nessas abordagens, estimulando a noção de pertencimento dos alunos. Ademais, cabe ao Governo Federal, a promoção da cultura nacional, com a programação de um aplicativo que apresente um catálogo com os principais símbolos brasileiros. Aplicativo esse disponibilizado para instalação individual e em prédios públicos, a fim de facilitar o acesso da população à cultura. Tudo isso para que o país seja capaz de driblar a pós-modernidade e alcançar sua valorização histórica.