Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 23/02/2020
O documentário “Vale tombado”, de 2016, relata a história de moradores no estado de Santa Catarina, os quais protestam contra a ocupação imobiliária em aglomerados históricos da colonização europeia, mas, devido à ausência de recursos financeiros, enfrentam obstáculos para continuar a proteção memorial. Fora da narrativa, esse cenário instável na preservação cultural também está presente no cotidiano brasileiro e tornou-se um sério problema, visto que – seja pela negligência popular, ora pela ineficiência estatal – compromete a formação da identidade nacional e relevância artística para diferentes grupos sociais.
A princípio, cabe analisar o papel negligente da população sob a visão da filósofa alemã Hannah Arendt. Segundo a autora, a sociedade sustenta práticas deploráveis simplesmente por não analisar a repercussão desses atos. Analogamente, na medida em que grande parte dos cidadãos não objetivam conhecer os elementos culturais e ignoram a importância dos patrimônios artísticos brasileiros, essas pessoas tornam as propriedades históricas marginalizadas e sujeitas a ações de vandalismo. Por consequência, observa-se uma menor identificação social com as memórias do país, o que favorece contextos de perda cultural.
Ademais, além do descaso popular, a atuação estatal ineficiente também corrobora na problemática e convém ser contestada sob a perspectiva do sociólogo britânico Thomas Marshall. Segundo o autor, os direitos civis, políticos e sociais devem ser oferecidos aos cidadãos para que ocorra a construção da cidadania. Dessa forma, o atual poder público contradiz esse pensamento ao promover poucos projetos em prol da preservação cultural do país, os quais, frequentemente, apresentam baixos investimentos na proteção dos materiais artísticos e uma limitada divulgação para deixar os espaços atrativos. Logo, a formação cidadã acerca do entendimento histórico brasileiro tende a ser afetada e a desvalorização de monumentos culturais acaba por ser presente no meio social.
Diante disso, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas. Para isso, as escolas, em parceria com o Ministério da Educação, devem criar projetos para difundir a valorização cultural, de modo a usar vídeos pedagógicos, em aulas especiais de História e Sociologia, que possam educar os alunos sobre a relevância dos patrimônios artísticos e incentivar as suas visitações. Dessa maneira, será possível construir uma sociedade que reconheça os elementos históricos do país e estabelecer uma identidade nacional. Além disso, o governo, por meio de verbas públicas, deve elaborar campanhas voltadas para a manutenção e divulgação dos espaços artísticos, a fim de transformar esses locais em pontos notáveis e impedir que seja ameaçada a sua preservação, assim como ocorreu no documentário “Vale tombado”.