Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 26/03/2020

Redigido em 1909 por Marinetti, o Manifesto Futurista tem como um de seus ideais a destruição de museus, pois um dos fundamentos do futurismo era o rompimento com o antigo. Não muito distante dessa realidade, maior parte da cultura consumida pela sociedade brasileira atualmente tem origem in-ternacional, sendo renegado o vasto leque cultural presente nos patrimônios históricos brasileiros. Esse desprezo pelo nacional se dá em parte pela falta de investimento para a preservação do sítio histórico e pelo descaso da população com sua própria história.

Segundo a Constituição Federal brasileira, o Estado tem como dever garantir a todos o pleno acesso às fontes da cultura nacional, e apoio e incentivo à valorização e difusão das manifestações culturais no Brasil. Dessa forma, torna-se evidente que o Governo vem falhando com seu dever ao ser observado o descaso com sítios históricos mesmo após serem tombados como patrimônios materiais ou imateriais pelo IPHAN, visto que a maior parte desses são públicos e mantidos com verba estatal. Essa falta de verba por parte do Estado somado à extinção do Ministério da Cultura é uma quebra na parte integrante do processo civilizatório brasileiro. Sendo assim, tomando como base a ideia do historiador grego Heródoto, deve-se  pensar o passado para compreender o presente e idealizar o futuro, sob esse viés, é necessário que o povo brasileiro tenha acesso à sua própria cultura para entender a si mesmo.

Além disso, a falta de investimentos na manutenção do patrimônio histórico cultural reflete no descaso

da população com sua própria história pois, pela falta de instrução da cultura nacional o povo recorre à cultura internacional. Sendo assim, a chamada cultura de massa age sobre o indivíduo de modo que ele seja instruído e familiarizado com uma cultura alheia à sua história e construção social. Desse modo, como dito pelo historiador Sérgio Buarque de Holanda, o brasileiro é suscetível a influências estrangei-ras, uma vez que, ao analisar a sociedade hoje, é ela que predomina nos meios midiáticos.

Em suma, o Governo Federal em conjunto com o IPHAN, deve reforçar a já existente Lei Rouanet por meio de um novo código de leis responsável pela obrigatoriedade da retirada de certa porcentagem, próxima a 5%, do imposto de renda pago pela população visando a preservação do sítio histórico da localidade, de forma que seus moradores tenham acesso integral à seus patrimônios preservados. Ade-mais, o Estado deve contar com a ajuda da Mídia e do Ministério do Turismo na divulgação da beleza local por meio de propagandas midiáticas informativas, de modo a instruir acerca o conteúdo presente em determinados sítios históricos e a presença de guias bem informados, de forma que o indivíduo possa ter contato com sua própria história, entendendo assim, melhor a si mesmo.