Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 26/03/2020

“Somos ainda hoje uns desterrados em nossa própria terra”. A citação do estudioso Sérgio Buarque de Holanda , na sua obra Raízes do Brasil, pode fazer referência à carência - de boa parte da população-  em preservar o patrimônio histórico e cultural brasileiro.  Sem dúvidas, essa é uma problemática antiga  que ainda não foi atenuada devido à carência educacional dos cidadãos, aliada também às ineficácias das ações estatais. Desse modo, é importante analisar - o quanto antes-  medidas coesas que fomentem o sentimento de “brasilidade”.

A priori, é possível afirmar que segundo dados divulgados pelo IBGE, em 2019,  quase 7% da população nacional, com mais de 15 anos de idade, são analfabetas. Esse percentual infere afirmar que a educação no país é pífia e, como toda ação tem uma reação - seguindo a teoria da 3° lei de Newton-, uma consequência disso é a carência da população quanto à informação e preservação dos patrimônios históricos e culturais. Ou seja, desde a infância tal público não teve um bom acesso  às aulas de história e sociologia - fundamentais para a formação intelectual e crítica  do homem sobre a sua nação-, isso certamente corrobora o não sentimento de brasilidade/pertencimento, tão importantes para a manutenção e preservação de uma identidade do país. Assim, fica claro a necessidade de incentivar o processo educacional a fim de evitar, ao máximo, as negativas consequências da cultura de massa, relacionada à padronização das culturas e costumes.

Além desses aspectos, é possível afirmar também que o Estado é uma instituição social de caráter normativo que tem o dever de garantir os direitos básicos dos homens - conforme previsto na Constituição Federal de 1988-, dentre eles, a preservação cultural dos patrimônios materiais e imateriais que constituem a história de um povo. Entretanto,  na prática, isso é quase uma utopia  devido à falta de assistência do setor público no  que diz respeito aos projetos e ações sociais que incentivem a valorização dos patrimônios nacionais e fomentem  uma identificação histórica. Dessa maneira, é essencial que o estado, junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) promova ações de valorização à cultura e hábitos dos brasileiros, de modo cada vez mais latente e eficiente.

Assim sendo, a fim de atenuar esse problema, é fundamental que o setor normativo invista em ações de promoção à valorização e preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro. Isso pode ocorrer por meio de divulgações na mídia sobre eventos gratuitos a museus e centros históricos que  possam reafirmar a identidade da nação como um tipo de “patriotismo saudável”.  Por fim, é importante que os núcleos de ensino elaborem projetos - relacionados às áreas de história e sociologia- em que pais, mestres e alunos possam abordar essa temática e agir de modo contrário à citação de Sérgio Buarque.