Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 25/03/2020
O movimento modernista iniciado em 1922 desencadeou-se a partir da necessidade de uma cultura única brasileira, a qual demonstrava-se pela valorização dos aspectos do Brasil. Contudo, essa forma de pensar configura-se de maneira conturbada na realidade hodierna, afetando significadamente a preservação do patrimônio histórico e cultural do país por meio da negligência do Estado e a desvalorização cultural da bagagem histórica-social nacional.
Mormente, o patrimônio brasileiro encontra-se rejeitado, principalmente, pela administração federal do país. Nesse sentido, o Estado não prioriza ações de manutenção ou valorização do legado histórico e cultural do Brasil, acarretando em impasses para sua preservação. Segundo a socióloga Hannah Arendt, a “banalização do mal” é a imposição da neutralidade em ações prejudiciais à sociedade. Sob essa ótica, as entidades governamentais voltadas ao gerenciamento do patrimônio seguem a logística de negligência do valor social em consequência da normalização desse problema, resultando em tragédias irrecuperáveis para a bagagem de conhecimento científico e saberes culturais, como o desastre do Museu Nacional localizado no Rio de Janeiro, o qual sofreu um incêndio pela ausência de manutenção do espaço e resultou na perda de diversos patrimônios para humanidade.
Em paralelo, existe uma não valorização cultural da própria cultura brasileira. Sendo assim, o enriquecimento de outras culturas em detrimento da nacional potencializa a decadência de forças efetivas para preservação do legado do Brasil. De acordo com o escritor Nelson Rodrigues, a população é caracterizada pelo fenômeno do “Complexo de vira-lata”, ou seja, a aceitação da inferioridade brasileira em relação aos outros países. Sob essa perspectiva, nota-se um interesse maior acerca de bens simbólicos estrangeiros aos brasileiros, produzindo uma ausência de interesse com o patrimônio de origem nacional e, consequentemente, uma deterioração sem obstáculos.
Destarte, a negligência governamental e o complexo cultural brasileiro são fatores limitantes da expansão da conservação do patrimônio. Dessa forma, cabe ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional assegurar a preservação dos bens simbólicos por via de fiscalizações que ocorreriam mensalmente no acervo desse órgão, objetivando mitigar a rejeição da manutenção de patrimônios. Além disso, é dever da mídia combater a mentalidade de inferioridade do brasileiro sobre si por meio de campanhas de valorização dos valores do Brasil em plataformas digitais com a exposição de figuras simbólicas da cultura e história, visando o acréscimo do reconhecimento da preservação dos legados brasileiros. Assim, há a possibilidade de convergir ao ideário modernista e preservar a bagagem sócio-histórica do país.