Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 23/03/2020
Por meio do estudo da historiografia brasileira, percebe-se que a miscigenação de culturas no processo de construção da Nação possibilitou a existência de um patrimônio histórico e cultural diversificado. Sendo assim, museus e prédios históricos, assim como qualquer legado artístico, devem ser constantemente lembrados e valorizados a fim de manter a história “viva”. No entanto, há desafios para essa preservação com o descaso das autoridades sobre o acervo cultural brasileiro, como também há uma inferiorização cultural pela população no que tange à desvalorização da arte e da história.
A constituição brasileira determina que o Governo e os estados são responsáveis pela conservação da memória histórica e cultural. Todavia, o descaso com os patrimônios brasileiros por parte das autoridades causa danos irreparáveis à memória artística, como é o caso do incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro, em que houve a destruição de um prédio histórico, fruto do período Imperial, assim como a perda total de artefatos seculares e fósseis que simbolizavam a importância da manutenção memorial da arte. Tal acontecimento reacende o debate sobre a negligência do Poder Público, privado e dos brasileiros, que é consequência de um descaso criminoso sobre a importância da arte como forma de humanização do indivíduo e de manutenção da vivacidade da história. Dessa forma, percebe-se a importância de conservar as raízes culturais, no propósito de se definir enquanto cidadão e identificar-se na sociedade.
Outro fator que contribui para essa negligência é o déficit educacional no ensino da história e cultura brasileira. Nessa perspectiva, o dramaturgo Nelson Rodrigues afirma que o brasileiro é acometido por um “complexo de vira-lata” ao passo em que, voluntariamente, inferioriza os costumes nacionais em detrimento de outros países. Nesse sentido, percebe-se uma supervalorização da arte e história estrangeira, em que o nacionalismo é desprezado, e resulta no desconhecimento e desvalorização dos patrimônios locais. Nesse cenário, nas escolas, não é despertado nos alunos a importância da cultura nacional, tornando-se um costume que ganha extensão na sociedade. Logo, essa realidade de descaso tende a prevalecer caso não seja colocado em prática incentivos culturais à população, que contribuam para a valorização da história.
No atual cenário de descaso, é necessário que o Governo Federal destine maiores verbas aos fundos culturais dos estados para que invistam na manutenção dos patrimônios físicos, a fim de combater a degradação desses espaços. Paralelamente, cada estado deve criar incentivos culturais que estimulem a visitação aos lugares históricos, como campanhas no meio televisivo, digital e escolar, para que desperte na população a identidade com o acervo cultural do país.