Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 23/03/2020

Em “Raízes do Brasil”, o autor Sérgio Buarque de Holanda menciona que “somos, ainda hoje, desterrados em nossa própria terra”. Assim, é possível relacionar isso à cultura material brasileira -ou seja, bens e acervos modificados pelo homem- que faz parte do patrimônio cultural brasileiro e não é preservado devidamente. Diante desse contexto, a falta de apoio eficaz aos projetos de preservação ao patrimônio cultural e a ausência da educação patrimonial nas instituições de ensino tornam-se um revés no país.

A priori, está registrado nos Direitos Humanos que todo indivíduo tem o direito ao acesso das formas de cultura e, consequentemente, possui o dever de preservá-la. Desse modo, a ausência de conscientização sobre os projetos de preservação ao patrimônio histórico-cultural pode repercutir às perdas da herança brasileira construída ao longo da história. Um exemplo disso foi o incêndio que ocorreu no museu mais antigo localizado no estado de Rio de Janeiro, em 2018, no qual  vários registros históricos foram perdidos.

Segundo o pensador Darcy Ribeiro, “nenhum povo vive sem a teoria de si mesmo”, ou seja, o homem é um ser cultural que se apoia nos valores da sua comunidade. À vista disso, a falta de educação patrimonial nos âmbitos escolares prejudica a formação de uma sociedade consciente e faz com que a desvalorização da cultura nacional atue como um “Alzheimer” social. Em consequência disso, a conservação dos bens étnicos é banalizado pela sociedade e muitos monumentos históricos são abandonados, demolidos ou vandalizados.

Portanto, a fim de que o patrimônio cultural brasileiro seja preservado, faz-se necessário que o Ministério do Turismo -o qual está inclusa a Secretaria de Cultura- divulgue o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) por via da mídia, meio de maior influência e acesso da sociedade, para que o povo saiba da importância de preservar a cultura material. Ademais, o Ministério da Educação inclua uma educação patrimonial nas aulas de sociologia em todos os meios educacionais para que o indivíduo tenha a consciência de não ser um “desterrado” na própria terra como o autor Sérgio Buarque de Holanda afirma.