Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 23/03/2020

Segundo o historiador Jacques Le Goff, a memória estabelece um vínculo entre as gerações humanas e o tempo que as acompanha. Nesse sentido, é indubitável que o Brasil é um país que possui uma vasta pluralidade de culturas e elementos históricos que formam o patrimônio identitário do país. No entanto, esse sofre grande desvalorização decorrente do descaso público e da massificação cultural.

A priori, no ano de 1937, Getúlio Vargas definiu, no artigo 134 da constituição outorgada naquele ano, que monumentos históricos e naturais gozariam da proteção e cuidados da nação, dos estados e dos municípios. Na contemporaneidade, a desvalorização de elementos identitários do país é decorrente da inexistência de uma cultura de preservação, o que dificulta a manutenção do patrimônio histórico como importante elemento de conservação da memória do povo brasileiro. Tal fato é, de certo, responsável pela grande negligenciação não somente da população, mas, também, do Estado e reflete-se na perda de importantes centros históricos como foi o caso do incêndio do Museu Nacional, o qual, em 2018, resultou na destruição de bens materiais e imateriais da constituição social e cultural brasileira. Dessa forma, a terceiração da preservação da memória nacional constitui-se como principal fator de perda da identidade do Brasil.

Ademais, no século XX, os filósofos Adorno e Horkheimer caracterizaram a “Indústria Cultural” como aquela que produz cultura como mercadoria e, consequentemente, transforma os indivíduos em objeto, não permitindo a formação de uma autonomia consciente. Nesse ínterim, a globalização atua, de certa forma, em conjunto com esse meio mercadológico, uma vez que aproxima os indíduos de culturas distintas e, muitas vezes, hierarquiza essas de modo uma se sobrepõe a outra. Dessa maneira, a alienação resultante desse fenômeno é aliada da desvalorização que ocorre com o patrimônio histórico cultural brasileiro, uma vez que anula a induvidualidade dos indivíduos, transformando-os em “massa de manobra” no intuito de alcançar o máximo de lucro.

Em suma, medidas fazem-se necessárias no tocante a problemática. O Estado deve, por meio do Ministério da Cidadania, criar um projeto chamado “Memória e nação”, que introduza na sociedade a importância do patrimônio cultural do país, com a apresentação de elementos históricos brasileiros, no intuito de instruir a população a respeito da preservação da identidade nacional. Somado a isso, o MEC deve criar palestras nas instituições de ensino que promovam a conscientização dos estudantes no tocante a manipulação da indústria cultural existente, apresentando os malefícios resultantes da atuação dessa, no intuito de afirmar a soberania da cultural do Brasil e promover a construção crítica desses indivíduos.