Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 26/03/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo e o meio social padronizam-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a falta de medidas que visem a preservação do patrimônio histórico cultural do Brasil, apresenta-se como uma barreira, no qual dificulta a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto do descaso do poder público, quanto da própria carência de discussão sobre a importância desse assunto. Diante disso, torna-se fundamental analisar esses aspectos, afim do pleno funcionamento da sociedade.

Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado. De maneira análoga, é possível perceber que a negligência em relação à preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro rompe com essa harmonia, haja vista que deriva da baixa atuação dos setores governamentais no que concerne a criação ou pelo menos aplicação de mecanismos, como leis ou projetos institucionais, que busquem a proteção, coíbam a desvalorização, o abandono de prédios, a degradação de lugares e outras importantes e verdadeiras ligações entre a história local, a população e a identidade cultural.

Também é possível somar aos aspectos supracitados, a careza de debate sobre a manutenção e proteção desses patrimônios como promotor do problema. Propagandas sobre esse tema praticamente não existem no país, além disso as escolas brasileiras dificilmente discutem sobre o assunto, consequentemente grande parte da população cresce alienada em relação a importância do patrimônio histórico cultural e acaba não valorizando questões que são extremamente importantes para a nossa sociedade como um todo. Como resultado, isso tudo acaba desaguando em depredações, pichações em monumentos históricos e talvez o pior seja, o esquecimento.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que objetivem à construção de um mundo melhor. Destarte, o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional) deve, juntamente com o Ministério da Cultura, intensificar seus processos de tombamento, expandir suas atividades para as grandes cidades e também para as cidades interioranas, promovendo uma inicial segurança para os patrimônios, que não vão poder ser demolidos ou sequer reformados. Ademais, com o intuito de mitigar o problema, necessita-se também que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, sejam feitos eventos e palestras que possam levar profissionais requisitados para discutir a importância da preservação tanto dos patrimônios materiais, quanto dos imateriais, promovendo o cuidado e a valorização na sociedade.