Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 20/03/2020

Em seu livro “Dom Quixote”, Miguel de Cervantes define a história como testemunha do passado, exemplo de presente e advertência de futuro. Sendo assim, a preservação do patrimônio histórico cultural de uma nação torna-se essencial para sua perpetuação. Entretanto, no Brasil é  constante a ameaça à preservação da identidade nacional, que pode ser observada pela falta de investimentos, bem como pelo excesso de influência da globalização.

A principio, faz-se importante destacar que, de acordo com a Constituição Federal de 1988, deve-se considerar como patrimônio cultural brasileiro todos os bens materiais e imateriais que façam referência à identidade, à nação e a memória dos grupos formadores da sociedade brasileira. Com isso, a importância da preservação reside no fato de que é essencial para as gerações futuras a convivência com seu passado histórico, para que aprendam com ele, perpetuem hábitos cultuais e, acima de tudo ,não permitam que alguns acontecimentos se repitam. No entanto, a falta de investimentos estatais pode ser considerada como evidência do descaso com que os governos lidam com essa memória no país. Exemplo disso pode ser observado com o Museu Nacional do Rio de Janeiro, que, tomado por incêndio, teve um acervo de centenas de anos destruído, como resultado da falta de cuidados com o espaço. Esse fato gera consequências duradouras que afetam a memória cultural da nação.

Outro ponto que merece destaque é o modo como a população brasileira lida com o excesso de influência externa, inerente a globalização, passando a valorizar aspectos culturais de outros países em detrimento do seu. Sobre isso, Nelson Rodrigues afirma que os brasileiros carecem de autoestima, desenvolvendo um “complexo de vira-lata”. Tal complexo de inferioridade também se torna ameaça à preservação do patrimônio histórico, uma vez que a cultura nacional é inferiorizada e passa-se a acreditar que o modo de viver do país deve se igualar a outras culturas consideradas superiores. Essa realidade torna-se ainda mais preocupante quando passa a ecoar no posicionamento de governantes, que abrem mão da soberania nacional para aceitar as imposições de determinadas nações.

Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para garantia da preservação da identidade nacional. Para tanto, é dever do Estado, restabelecer o Ministério da Cultura e dar meios para que esse continue preservando o patrimônio nacional. Após isso é possível que exista uma parceria entre o Ministério da Cultura e da Educação para possibilitar espaços de discussão, através de palestras e rodas de conversa, nas escolas públicas e privadas, sobre a importância da cultura nacional. Nesses momentos as diversas manifestações culturais podem ser apresentadas aos alunos, afim de despertar nesses a consciência da necessidade de preservação da história para o presente e futuro da nação.