Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 21/03/2020

Em meados do século XX,o escritor austríaco Stephan Zweig mudou-se para o Brasil devido a perseguição nazista na Europa. Recém-chegado ao país e admirado com as potencialidades culturais da casa, escreveu uma obra cujo título é até hoje repetido: “Brasil, um país do futuro”.Entretanto, ao se observar o descaso na preservação da herança cultural brasileira, percebe-se que a profecia não saiu do papel. A partir desse viés, é de suma importância uma profunda análise a cerca da necessidade de manutenção dos patrimônios históricos e da inércia, e contribuição, da sociedade perante tal quadro.

Com efeito, é válido ressaltar que o processo de destruição e degradação da herança histórica-cultural edifica-se sobre dois pilares: a ignorância da população e ao viés passadista do Brasil. Ainda no Brasil Colônia, os processos de aculturação de índios e negros africanos realizados pelos imigrantes europeus deram início a um encandeamento de ações de valorização do estrangeiro e desvalorização da cultura brasileira. Tal qual foi construída a partir da aglutinação e diversificação social do Brasil. Assim, ainda nos dias atuais, há um exacerbado enaltecimento de padrões estrangeiros, em livros, filmes, construções e hábitos sociais, e depreciamento da cultura brasileira. Tal fato reflete-se diretamente nas políticas públicas de manutenção de patrimônios históricos -como bens arquitetônicos e simbólicos- uma vez que ,sendo aquele o ápice da representatividade do ideário nacional, há um descaso e falta de prioridade na conservação desses bens, se baseando na própria desvalorização da sociedade brasileira.

Sob esse viés, é elementar validar a importância e necessidade da preservação do patrimônio histórico brasileiro. Segundo o filósofo Friederich Nietzsche, a cultura é uma fusão harmoniosa do físico, psíquico e intelectual da coletividade. Dessa forma, toda herança cultural de uma nação resulta de um conjunto de experiências vividas e compartilhadas, as quais devem ser preservadas a fim de reafirmar a identidade local e cultural de um povo. Dessa maneira,a destruição das heranças históricas - sejam elas materiais ou imateriais- atenuam uma contínua e crescente descaracterização do ente nacional brasileiro.

À luz dessas considerações, depreende-se que para que se atinja a profecia futurística de Zweig um dos caminhos cruciais é a preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro e a mudança no ideário nacional a cerca da valorização da cultura nacional. Assim, urge que o Governo Federal -através dos seus respectivos Ministérios- atenue investimentos para manutenção de bens materiais, como museus e parques nacional, por meio de previsão orçamentária e gestão equânime e responsável das verbas públicas.