Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 19/04/2020

O livro “Fahrenheit 451” de 1953 narra a história de uma sociedade que é reprimida frente a qualquer forma de pensamento e demonstração cultural. Na obra, a cultura é retratada como algo nocivo, de forma que é fortemente combatida através de incêndio de livros, ausência de jardins e monumentos. De maneira análoga a história fictícia, a realidade brasileira atual demonstra um crescente cenário de dificuldades para a preservação do patrimônio histórico cultural nacional. Nesse sentido, a inércia governamental frente à cultura e o crescente processo de globalização são entraves para a plena preservação da cultura brasileira.

Em primeiro plano, a ausência de políticas públicas que valorizem a cultural brasileira é um impasse para a conservação cultural. Consoante ao artigo 215 da Constituição Cidadã, o Estado se responsabiliza pela valorização e difusão cultural. Contudo os incêndios no Museu da Língua Portuguesa e Museu Nacional demonstram uma inconstitucionalidade. Dessa maneira, o Estado não assegura que patrimônios materiais sejam devidamente preservados e valorizados para as próximas gerações. Logo, observa-se, que o o conto fictício de 1953 se aproxima cada vez mais da realidade.

Paralelamente a isso, desde a Terceira Revolução Industrial, a sociedade brasileira é influenciada por uma cultura que obedece a uma lógica de mercado. Consoante aos pensadores da Escola de Frankfurt, o conceito de indústria cultural demonstra a criação de um modelo próprio de bem que tem por objetivo apenas o consumo de mercado, e por consequência desvaloriza as peculiaridades culturais de cada local. Dessa forma, a nova lógica de mercado aponta para um caminho que é contrário as brasilidades descritas por Gilberto Freyre, e que se estendem desde objetos de consumo a, até mesmo, modos de se vestir, se alimentar e se relacionar. Logo, a cultura brasileira se vê frente a obstáculos para a sua preservação.

Registra-se, portanto, as dificuldades para a preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro. Posto isso, o Poder Público deve criar um projeto de preservação de patrimônios materiais por meio da da formação de equipes de engenheiros e economistas que visem tanto vistorias constantes a esses locais, quanto o aumento da distribuição econômica para reparos rotineiros. Conjuntamente a isso, o Ministério da Educação deve promover às escolas, calendários culturais a serem cumpridos durante o ano letivo, por meio dos quais deve-se haver a elaboração de atividades lúdicas que valorizem o folclore, as danças, as comidas típicas de cada região e as datas que representam fatos históricos a fim de que as novas gerações compreendam a importância do patrimônio imaterial. Destarte, será possível que Fahrenheit seja apenas um livro de ficção que contrasta com a preservação cultural brasileira.