Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 02/06/2020

Na obra ‘‘Brasil: Uma Biografia’’, as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling apontam ao leitor as peculiaridades da sociedade brasileira. Dentre delas, destaca-se a difícil e tortuosa construção da cidadania. Com efeito, tal conjuntura é análoga ao hodierno cenário brasileiro, visto que, apesar da Constituição Federal determinar a proteção do Patrimônio histórico-cultural brasileiro e, dele ser elemento imprescindível à valorização e à manutenção da identidade nacional, ele se encontrada ameaçado. Nesse contexto, deve-se analisar como a negligencia governamental e o descaso social corroboram na problemática.

A priori, a ineficiência do Estado em aplicar leis que garantam o acesso ao Patrimônio cultural restringem a cidadania dos indivíduos. Isso porque, em 1808, ao chegar ao Rio de Janeiro, a família real, com o intuído de modernizar a cidade para o próprio proveito, construiu muitos ambientes de difusão de cultura -como a Biblioteca Nacional-, além de fomentar a criação de infraestruturas para os futuros projetos. No entanto, na contemporaneidade brasileira, o Governo Federal limita o investimento financeiro em tais ambientes, o que potencializa a degradação do Patrimônio nacional. Esse panorama explica, infelizmente, o incêndio do Museu Nacional, em setembro de 2018, na cidade do Rio de Janeiro. Por conseguinte, os cidadãos brasileiros não atinge a plena vivência da cidadania.

Outrossim, o desconhecimento de sociedade brasileira - no que diz respeito à importância do Patrimônio cultural - contribui para a ocorrência do problema. Isso porque, a maior parte da população brasileira é desinformada quanto aos bens e espaços tombados no país. Isso se confirma, por exemplo, na pesquisa do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), que afirma que, no ano de 2017, apenas 29% da sociedade brasileira visitaram museus. Por consequência disso, o vandalismo, atrelado a furtos e roubos, prejudica a preservação do Patrimônio histórico-cultural brasileiro e, consequentemente, ocorre a perda cultural no país.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para a solidificação de um mundo melhor. Em razão disso, urge que o Ministério de Educação, por meio das universidades públicas e privadas, invista na formação de profissionais nas áreas de Belas Artes e História. Tal formação terá o intuído de enfocar a preparação para lidar com os bens históricos. Ademais, com finalidade de incentivar à visitação, à identificação e à valorização da cultura nacional, as escolas brasileiras deve abordar, por meio das aulas de história, sociologia e literatura, a importância da preservação do patrimônio cultural. Somente assim, a sociedade brasileira poderá caminhar para a completude da democracia no âmbito cultural.