Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 03/06/2020

Na obra ‘‘Brasil: Uma Biografia’’, as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling apontam ao leitor as peculiaridades da sociedade brasileira. Dentre delas, destaca-se a difícil e tortuosa construção da cidadania. Com efeito, tal conjuntura é análoga ao hodierno cenário brasileiro, visto que, apesar da Constituição Federal determinar a proteção do Patrimônio histórico-cultural brasileiro, e dele ser elemento imprescindível à valorização e à manutenção da identidade nacional, ele se encontra ameaçado. Nesse contexto, deve-se analisar como a negligência governamental e o descaso social colaboram na problemática.

A priori, a ineficiência do Estado em aplica leis que garantam o acesso ao Patrimônio cultural restringem a cidadania dos indivíduos. Isso porque, em 1808, ao chegar ao Rio de Janeiro, a família real, com o intuito de modernizar a cidade para o próprio proveito, construiu muitos ambientes de difusão de cultura - como a Biblioteca Nacional -, além de fomentar a criação para futuros projetos. No entanto, na contemporaneidade brasileira, o Governo Federal limita o investimento financeiro em tais ambientes, o que potencializa a degradação do Patrimônio nacional. Esse panorama explica, infelizmente, o incêndio no Museu Nacional, em setembro de 2018, na cidade do Rio de Janeiro. Por conseguinte, os cidadãos brasileiros não atingem a plena vivência da cidadania.

Outrossim, o desconhecimento da sociedade brasileira - no que diz respeito à importância do Patrimônio cultural -  contribui para a ocorrência do problema. Isso porque a maior parte da população brasileira é desinformada quanto aos bens e espaços tombados no país. Tal premissa se confirma, por exemplo, na pesquisa do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), que afirma que, no ano de 2017, apenas 29% da sociedade brasileira visitaram museus. Por consequência disso, o vandalismo, atrelado a furtos e roubos, prejudica a preservação do Patrimônio histórico-cultural brasileiro e, consequentemente, ocorre a perda cultural do país.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para a solidificação de um mundo melhor. Em razão disso, urge que o Ministério de Educação, por meio das universidades públicas e privadas, invista na formação de profissionais nas áreas de Belas Artes e História. Tal formação terá o intuito de enfocar a preparação para lidar com os bens históricos. Ademais, com a finalidade de incentivar a visitação, a identificação e a valorização da cultura nacional, as escolas devem abordar, por meio das aulas de história, sociologia e literatura, a importância da preservação do Patrimônio cultural. Tal abordagem deverá ser feita de forma lúdica a faixa etária, contando com a capacitação prévia dos professores sobre o assunto. Somente assim, o Brasil poderá caminhar para a plena cidadania no âmbito cultural.