Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 25/06/2020
O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que recusavam-se a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito à desvalorização do patrimônio histórico cultural, visto que, de 2008 a 2018, oito prédios que guardavam acervo com valor artístico, histórico e científico foram dizimados em incêndios. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas: a insuficiência de leis e a falta de conhecimento.
A princípio, a insuficiência legislativa apresenta-se como um complexo dificultador. A Constituição Federal de 1988 é a lei básica brasileira que busca garantir a integridade dos seres vivos e do ambiente em que estão inseridos. No entanto, essa legislação não tem sido suficiente no que se refere à garantia dos direitos culturais, uma vez que, acervos nacionais são constantemente abandonados devido à negligência governamental e, consequentemente, restringindo o acesso da população brasileira às fontes da cultura nacional. Assim, a lei sendo enfraquecida, dificulta-se a resolução desse impasse.
Outro ponto relevante nessa temática é a falta de conhecimento. Nesse contexto, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre a importância dos bens materiais e imateriais para a formação da identidade cultural, sua visão será limitada. Segundo o diretor do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais, a maioria das instituições de ensino não informam os alunos sobre os exemplos de patrimônios existentes em suas cidades e como preservá-los, realidade preocupante que dificulta a erradicação do problema.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parcerias com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre a importância da preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e convidados especialistas no assunto. Ademais, esses acontecimentos não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse panorama desafiador e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.