Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 26/08/2020

Museu Nacional. Museu da Língua Portuguesa. Igreja Santa Rita em Diamantina. Esses três locais, além da importância histórica, possuem outro ponto em comum, a destruição causada pelas chamas. Nesse sentido, percebe-se que, no Brasil, a preservação do patrimônio histórico cultural se mostra um desafio, seja pela negligência governamental, seja pelo descaso da população.

Primeiramente, é preciso destacar a falta de ações do Estado como um dos pilares do problema. Nesse contexto, para o filósofo, contratualista, Jean Jacques Rousseau, a sociedade é formada a partir de um “Contrato Social”, entretanto o governo brasileiro tem descumprido sua parte no acordo. Decerto, medidas como o rebaixamento do Ministério da Cultura a Secretaria e o corte de verbas ao setor, vão de encontro aos ideais de preservação e proteção da história nacional. Já que a diminuição de investimentos impede uma manutenção preventiva da estrutura, promove o fechamento de exposições e, em casos extremos, pode causar “acidentes”, como observado no incêndio ocorrido na Quinta da Boa Vista, que gerou perdas irreparáveis para patrimônio histórico e artístico.

Somado a isso, a sociedade é pouco atenta às riquezas presentes na formação da identidade brasileira. Nessa perspectiva, os indivíduos, em sua maioria, não buscam conhecer museus e locais históricos de sua região, no entanto quando vão a outro país esses são os endereços mais visitados. Dessa forma, corroborando o conceito de “complexo de vira lata”, do escritor Nelson Rodrigues, o qual evidencia que o povo prioriza aquilo que é importado. Decerto, a falta de atrativos e o desconhecimento geram baixos índices de visitação, de acordo com os dados do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, no qual fica claro que sete em cada dez brasileiros nunca foi a um museu ou centro cultural, demonstrando a necessidade de intervenção imediata.

É evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas, a fim de garantir a proteção do patrimônio material e imaterial brasileiro. Nesse sentido, a Secretaria Especial de Cultura pode desenvolver campanhas midiáticas, para veiculação na televisão e redes sociais, com o fito de explanar sobre museus e locais históricos, destacando a localização, forma de acesso e relevância na formação regional ou nacional. Dessa forma, o acesso à informação dará maior visibilidade, garantindo um aumento na visitação. Em adição, o executivo deve ampliar os investimentos em manutenção, por meio do fornecimento de incentivos fiscais a empresas patrocinadoras de museus e centros artísticos, assegurando, com o tempo, o desenvolvimento de um círculo virtuoso de conservação. Dessa maneira, impedindo que o legado histórico brasileiro vire cinzas.