Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 13/06/2020
A cultura do Brasil e o complexo de vira-lata
No filme “Aquarius”, estrelado por Sônia Braga, é retratada a batalha de Clara para conservar o prédio antigo em que mora, alvo de interesse de uma construtora que pretendia substituí-lo por um condomínio mais moderno. Fora da ficção, um dos intuitos do longa era de lutar em prol do edifício Oceania, local das gravações, que teve o pedido de tombamento negado em 2006, mesmo sendo historicamente importante para o bairro Boa Viagem, em Recife. Dessa forma, a produção prima pela preservação do patrimônio cultural brasileiro, ameaçado pela cultura de massa e pelo descaso estatal.
Em primeiro plano, é mister entender como a homogeneização comportamental impõe-se como um obstáculo para a proteção da brasilidade. Diante dessa perspectiva, tem-se o processo de globalização, facilitador do avanço das empresas multinacionais que, presentes em todo o mundo, ditam padrões sociais, atuando como massificadoras culturais. Nesse contexto, menciona-se o “complexo de vira-lata”, pontuado pelo escritor Nelson Rodrigues, o qual revela que muitos brasileiros julgam o país como sendo inferior perante o resto do mundo. Logo, a cultura de massa, associada a essa identidade vira-lata, se transforma em um entrave à consolidação da história do Brasil, visto que é priorizada pela população, imersa em uma realidade de aversão ao nacional.
Juntamente a isso, a negligência governamental a respeito da conservação do legado histórico brasileiro também configura um empecilho para a manutenção da cultura do país. Isso é exemplificado pelo incêndio que devastou o Museu Nacional em 2018, resultado da precariedade da estrutura do acervo em decorrência do corte de verbas destinadas à instituição. Sob esse prisma, é possível compreender a afirmação do historiador Leandro Karnal, o qual exibe que o governo é fruto da sociedade por ele governada. Dessarte, em um corpo social vira-lata, que despreza a cultura nacional, torna-se inevitável a presença de um Estado indiferente à valorização histórica do país.
Por conseguinte, medidas hão de ser tomadas a fim de afirmar o resguardo da história e cultura brasileiras. Primeiramente, ONGs devem pressionar o Poder Público acerca da necessidade de ações voltadas à preservação do patrimônio brasileiro, evitando a ocorrência de acidentes nesses locais, como o que atingiu o Museu da Língua Portuguesa, em 2015. Isso seria possível por meio da parceria com a mídia e asseguraria o acesso à cultura previsto na Constituição. Ademais, a Secretaria Especial da Cultura, a partir da cooperação com órgãos legisladores, precisa investir no desenvolvimento cultural do país, como é proposto pela Lei Rouanet, que prevê um Fundo Nacional da Cultura. Desse modo, garantir-se-ia a manutenção da brasilidade, defendida pelo filme “Aquarius”.