Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 21/06/2020

Na metade do século XX, na China, o ditador Mao Tsé-Tung ordenou a prática da política nomeada de “Revolução Cultural”. Assim, livros e as demais formas de arte feitas por opositores ao regime foram queimados, com o intuito de impedir que a população chinesa tivesse conhecimento dos ideais contidos nessas obras. Similarmente, no contexto contemporâneo brasileiro, observa-se que esse negacionismo histórico apresenta-se de forma mais indireta: por meio do descuido público à preservação do patrimônio cultural do país. Além disso, vê-se que os interesses do capitalismo opõem-se ao incentivo à proteção da arte nacional.

Antes de tudo, é necessário mencionar a função estatal na garantia da cultura brasileira. A esse respeito, o filósofo Friedrich Hegel defendeu a ideia de que o entendimento do processo histórico é de substancial importância para a ascensão de uma sociedade livre dos erros passados. Nesse sentido, há, por parte do Estado, o dever em assegurar a defesa de mecanismos de estudos do patrimônio cultural, haja a vista que tal proteção artística possibilita uma melhor compreensão da mentalidade dos povos passados e, por conseguinte, garante que erros históricos não se repitam. Entretanto, no Brasil, observa-se uma negligência por parte considerável do poder público no que tange à administração dos recursos financeiros voltados à proteção cultural. Dessa forma, fica nítido que as estruturas dos museus de arte são sucateadas em virtude do interesse de alguns em uma sociedade inerte à própria história.            Outrossim, é imperativo salientar que o liberalismo desincentiva a ação das empresas no ramo cultural. Acerca dessa premissa, o sociólogo Karl Marx defendeu a ideia de que, quando o capitalismo segue apenas as leis de mercado, há uma falsa sensação de que todas as demandas sociais são saciadas. Nesse aspecto, os interesses mercadológicos contrastam com a lógica de preservação cultural, uma vez que, por essa prática não gerar lucro em muitas circunstâncias, há a formação do desinteresse empresarial nesse investimento. Portanto, fica claro que esse descuido privado decorre da falta de interesse de parcela da elite no que concerne à preservação cultural.

Em suma, devem-se propiciar os incentivos público e privado à preservação histórico cultural do patrimônio brasileiro. Cabe, então,  à Secretaria da Cultura, por intermédio da aprovação de um projeto de lei orçamentária, garantir a existência de investimentos a estruturas adequadas aos museus nacionais. Nesse âmbito, esse órgão irá subsidiar empresas privadas desse ramo e tornar obrigatória a garantia de que os aspectos culturais brasileiros sejam protegidos. Com essa medida, espera-se que as artes brasileiras tornem-se mais seguras e, simultaneamente, que elas sejam mais valorizadas pelo Estado e pelo mercado. Dessa maneira, pretende-se afastar da realidade já enfrentada pelos chineses.