Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 27/05/2021
O museu, às margens do rio vermelho, na cidade de Goiás -GO, conhecido como a casa da poetisa Cora Coralina, é uma instituição que busca proteger e preservar as contribuições literárias de Coralina para o país. Nesse sentido, inúmeros são os locais que armazenam um pouco da história nacional em forma de registros materiais e imateriais. Entretanto, esses lugares, infelizmente, tem sido constantemente ameaçados pela ausência de comprometimento por parte da sociedade e Estado para a manutenção de seus acervos.
Em primeira análise, segundo a teoria conhecida como “Complexo de Vira-Lata”, defendida pelo dramaturgo Nelson Rodrigues, o brasileiro tem uma tendência maior em apreciar a cultura estrangeira do que a nacional. Assim, na medida em que se tem um elevado número de brasileiros saindo do território nacional para visitar relevantes locais como Museu do Louvre, Palácio de Versalhes e o Coliseu, o Poder Público Brasileiro deixa de investir na infraestrutura dos acervos históricos nacionais. Uma vez que são consideradas como necessidades secundárias, logo, contribuindo para a ocorrência de acidentes como o de setembro de dois mil e dezoito, no qual o museu nacional do Rio de Janeiro, após um incêndio ocasionado pela carência de estrutura, queimou elementos primórdiais da história nacional.
Somado a isso, segundo o filósofo contratualista Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir a paz e o ordenamento harmônico da sociedade. No entanto, ao analisar dados revelados pela pesquisa realizada no fim da primeira década de dois mil, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), os quais revelam que setenta porcento da população nunca foi ao museu ou centro cultural, observa-se a transgressão violenta ao contrato de Hobbes. Haja vista que não investir para que as pessoas tenham acesso ao pleno convívio com a história passada é não transmitir a relevância que o passado tem para a construção de uma memória nacional que prima pela construção de um presente próspero.
Portanto, com o intuito de preservar e proteger os mais de quinhentos anos de história brasileira, é fundamental ação estatal. Diante disso, cabe ao Congresso Nacional promover mais investimento nas escolas - mediante uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias - as quais realizarão palestras e debates com os alunos. Mediadas por arqueológos e historiadores, abertas para a comunidade, com o objetivo de transmitir a importância de zelar pela história do passado para se construir um presente mais próspero e desenvolvido. Assim, caminha-se para a construção de um futuro que aprende com os erros do passado, e, gradativamente, deixa de transgredir o contrato social de Hobbes.