Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 09/08/2020

O processo de globalização define-se como a integração dos mais diversos lugares do planeta por meio dos sistemas de comunicação e acarreta a ocorrência da “cultura de massa”. Nesta, centros economicamente dominantes transmitem mais seus hábitos em detrimento de outros locais do globo. No Brasil hodierno, percebe-se uma baixa valorização cultural por parte dos nativos, o que corrobora o distanciamento do povo com a própria história. Tal conjuntura mostra-se nociva e deve ser combatida.

A priori, a problemática mostra-se estrutural, visto que, desde os primórdios da colonização, o povo brasileiro apresenta sérias dificuldades em construir sua identidade. Na obra intitulada “Raízes do Brasil”, o historiador Sérgio Buarque de Holanda lança mão do termo “bovarismo” para definir a carência de originalidade da nação, que a leva a copiar modelos culturais de outras civilizações. Essa característica justifica a necessidade de “aprovação exterior” que o país tem, tornando os cidadãos pouco interessados em manter o seu patrimônio, seja ele material ou imaterial. Dessa forma, os indivíduos, ainda segundo Buarque de Holanda, são como “desterrados em sua terra”.

Ademais, é possível destacar o incentivo precário das instituições públicas aos meios de acesso à cultura no país. O artigo 215 da Constituição Federal de 1988 explicita que é dever do Estado garantir a todos o acesso às fontes de cultura nacional, bem como apoiar e incentivar a valorização e a difusão das manifestações do povo. Entretanto, o que se nota é um descaso, por exemplo, com a situação dos museus brasileiros, muitas vezes abandonados e sucateados por falta de investimentos. Além disso, o incêndio recente que destruiu grande parte do museu nacional de História - maior relicário de documentos primitivos do país - pouco foi sentido pelos brasileiros ao comparar com a comoção destes ao ser noticiado o incêndio na catedral de Notre Dame, em Paris. É o retrato pleno de uma sociedade que não valoriza sua história.

Portanto, é essencial que o Ministério da Educação, juntamente à Secretaria da Cultura promovam aulas de cultura brasileira nas escolas, por meio de oficinas, palestras e visitas a museus, a fim de incentivar alunos desde cedo a valorizar seu patrimônio. Outrossim, faz-se necessária a criação e execução de leis por parte, respectivamente, dos poderes Legislativo e Executivo que promovam a manutenção constante de espaços que contem a história do Brasil. Tais ações, além dos benefícios supracitados, também contribuem com a promoção de empregos. No mais, uma nação consciente da sua própria história é autêntica e promissora, capaz de emergir nesse mundo de imitações.