Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 13/03/2021
A série “Cidade Invisível”, da Netflix, conseguiu sucesso por gerar no público brasileiro a sensação de reconhecimento da identidade nacional, por meio da representação do folclore. No entanto, de modo geral, a realidade para o patrimônio histórico cultural é mais hostil, posto que a subjugação de elementos tradicionais e o descaso do poder público marginalizam a memória coletiva que constitui a nação. Essa situação é potencializada por uma educação ainda eurocêntrica e pela falta de investimentos na preservação do conjunto de acervos culturais.
Em primeiro lugar, o sociólogo Gilberto Freyre defende a importância da história para de compreender o país. Todavia, escolas atendem, sobretudo, aos padrões das classes dominantes, formadas por brancos euro-americanos, o que inibe o reconhecimento do mérito cultural de outros povos. Por exemplo, o folclore, cujas origens são indígenas, é severamente preterido pelo “Halloween” – a exaltação do dia 31 de outubro nas escolas é maior que a do dia 22 de agosto, muitas vezes nem lembrado -, de modo que, inclusive, o resgate dessa tradição pela série supracitada cumpriu importante função social. Diante disso, é de extrema necessidade que a educação, enquanto formadora de cidadãos, prestigie os grupos participantes na história brasileira, como forma de gerar nos indivíduos a consciência do que é memória nacional.
Somado a esse empecilho, há falta de atenção do Estado em relação à manutenção, em especial, dos monumentos. A maior prova dessa negligência foi o incêndio, em 2018, do Museu Nacional do Rio de Janeiro, que, antes, possuía cerca de vinte milhões de itens das mais variadas áreas do conhecimento e que, mesmo com tão exclusivo acervo, não tinha sequer um sistema de segurança contra fogo. Essa situação revela o desinteresse do poder público, de modo que cabe à população reivindicar atuações mais eficazes e pressionar o Governo a preservar os locais que abrigam a memória brasileira.
Destarte, para que o patrimônio histórico cultural não se torne lenda, a Secretaria de Cultura deve se aliar ao Ministério da Educação em um projeto sobre a multiculturalidade brasileira, por meio de matérias das áreas de humanas, as quais ensinem tanto quais povos - em especial minorias - compõem o país, quanto suas tradições, a fim de conceder o mérito desses grupos na identidade brasileira. Ademais, a mídia deve participar dessa campanha e veicular propagandas de conscientização, como forma de instruir a sociedade sobre a necessidade dos bens materiais e imateriais, além das consequências de sua degradação, estimulando a população a exigir do Estado maiores investimentos.