Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 22/11/2020

Um indivíduo em desespero, ao passo que, em seu entorno, personagens mostram-se apáticos a esse sofrimento. É isso o que se observa no quadro “O grito”, do pintor Edvard Munch. Contudo, essa indiferença frente às adversidades alheias não se limita à obra expressionista, já que, no Brasil, aqueles que têm sofrido com a falta de preservação do patrimônio cultural têm sido negligenciados por determinados setores da sociedade. Nesse prisma, cabe analisar a displicência governamental com a proteção de acervos e a falta de incentivo ao conhecimento da memória nacional.

De início, pontua-se que o Poder Público tem sem mostrado omisso ao permitir essa não preservação do patrimônio histórico. Isso porque existe uma deficiência no processo de investimento financeiro em políticas de proteção de acervos, uma vez que faltam verbas para promover a manutenção e revitalização de elementos arquitetônicos e museológicos da cultura nacional, os quais têm sofrido com descaso e abandono da União, comprometendo não só a preservação da história local, mas também a identidade cultural de uma nação. Vê-se, então, que o Estado não tem assegurado o bem-estar de toda a coletividade, demonstrando um desrespeito aos princípios previstos na Constituição Federal.

Ademais, enfatiza-se que aceitar a desvalorização do patrimônio cultural é banalizar o mal. Porém, parte da sociedade tem apresentado certa resignação diante da falta de políticas de incentivo ao conhecimento da memória nacional, visto que falta, por parte do governo, criar espaços culturais que promovam apresentações artísticas, como o frevo e o coco de roda, o que tem dificultado o contato da população com o patrimônio cultural imaterial e, consequentemente, a sua preservação. Assim, constata-se que a naturalização dessa problemática corrobora os estudos da filósofa Hannah Arendt, posto que, segundo ela, a massificação social exerce influência sobre as pessoas, fazendo com que percam a capacidade de distinguir o que é ou não aceitável.

Infere-se, portanto, que o patrimônio cultural brasileiro deve ser preservado. Logo, é necessário que o Estado, mediante atuações do Poder Executivo, direcione verbas à proteção de acervos, o que pode ser feito, por exemplo, por meio da restauração e manutenção de prédios históricos e de museus, a fim de proteger a história local e, por conseguinte, a identidade cultural de um povo. Além disso, organizações não governamentais devem, por meio da realização de campanhas midiáticas, sensibilizar a população sobre a importância de não se manter inerte diante da desvalorização da cultura, potencializando, com isso, a mobilização coletiva em prol da criação, por parte da União, de espaços públicos destinados a apresentações artísticas referentes à memória nacional, com o intuito de incentivar o contato com o patrimônio imaterial e a sua preservação.