Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 27/08/2020
A diversidade étnico-cultural brasileira é fruto das contribuições de múltiplas matrizes, como a indígena, europeia e africana, que se manifestam nos patrimônios materiais e imateriais da nação. Apesar de sua grande importância e de leis que garantam a sua preservação, na contemporaneidade, inúmeros casos nos quais esses são degradados tem sido retratados- como o incêndio ao Museu Nacional em 2018. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias no que tange ao tema, que persiste influenciado pela negligência estatal e social.
Em primeira análise, o descaso social mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. O escritor Nelson Rodrigues desenvolveu o conceito do “complexo de vira-lata”, que aborda a desvalorização de elementos nacionais em detrimento da supervalorização de estrangeiros. É comum ver nas redes sociais postagens de brasileiros visitando museus e lugares de importância nacional em países europeus, o que não é realizado em seu próprio país. Nesse contexto, verifica-se o desconhecimento acerca do patrimônio histórico brasileiro, de sua importância e a desinformação quanto a bens e espaços tombados por grande parte da população, que acaba sem visitar e zelar por estes locais tão importantes.
Em consequência disso, surge a questão constitucional e sua aplicabilidade como agravadores do imbróglio. De acordo com Aristóteles, a política deve ser manuseada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja atingido na sociedade. De modo análogo, no Brasil, a falta de verbas e sua má gestão rompe essa estabilidade, tendo em conta que, apesar de a Constituição Federal de 1988 resguardar o pleno acesso à cultura e à preservação dos bens materiais e imateriais do país, esse direito não é ratificado, na prática. Destarte, são frequentes os casos de incêndios, vandalismo, furtos e roubos que, ao deteriorar a memória e história brasileira, ameaçam a identidade cultural do país.
Torna-se imperativo, então, a adoção de medidas capazes de assegurar a resolução do problema. Para conscientizar a população, urge que o Governo e Universidades realizem campanhas informacionais, por meio da contratação de profissionais cabíveis, que explicitem o conceito de patrimônio histórico, sua importância e localização nas redes sociais, utilizando de uma linguagem compreensível a todos. Ademais, as parcerias público-privadas devem ofertar o apoio jurídico e financeiro a esses locais, profissionalizando a sua gestão. Cabe também às escolas formar um público de visitação, instigando o conhecimento dos alunos em excursões, por exemplo, a museus. Posto isso, será possível conquistar a preservação dos patrimônios materiais e imateriais no Brasil, pois como disse Aristóteles, o conhecimento proporciona plenitude.