Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 01/09/2020
Frevo, Choro, Museu Nacional. Diversos são os patrimônios históricos nacionais que são negligenciados pela sociedade brasileira. Embora, devido ao processo de colonização e mistura de etnias, o Brasil seja um país rico culturalmente, a preservação desses elementos carece da atenção necessária. Tal retrato deve-se, fundamentalmente, ao comportamento negligente da sociedade e da má gestão dos recursos financeiros.
Mormente, vale ressaltar que a relação de preservação da cultura e o orgulho estão diretamente relacionadas. Muitos são os indivíduos que viajam para o exterior e visitam locais históricos, museus, igrejas. Entretanto, esse mesmo indivíduo, quando em território nacional, não realiza essas atividades. Esse comportamento, segundo o escritos Nelson Rodrigues, é definido como complexo de “vira-lata”. Nesse conceito, há uma supervalorização de bens e culturas estrangeiras em detrimento da nacional. Assim, o brasileiro médio, por subestimar as raízes nacionais, negligencia qualquer tipo de ação de preservação.
Ademais, associado ao aspecto comportamental do cidadão brasileiro, a ineficiência do Estado em gerir os recursos e as instituições responsáveis pela preservação do patrimônio amplificam o problema. No Brasil, diversos são os museus e centros culturais que carecem de recursos financeiros adequados para sua manutenção e promoção de atividades. Consoante o jornal “Estado de São Paulo”, no ano do incêndio do Museu Nacional, o orçamento anual para a preservação do museu foi de aproximadamente 60 mil reais. Tal valor é diminuto e irrisório quando avaliado o tamanho do acervo e a importância da preservação. Tal cenário ilustra como o Poder Público falha em promover e preservar o patrimônio e, por conseguinte, acaba por legitimar a ideia que os bens nacionais são inferiores e sem valor.
Infere-se, portanto, que há entraves para serem resolvidos. Desse modo, a Secretária da Cultura, por meio de parcerias com os meios de comunicação, deve promover campanhas e palestras a fim de conscientizar a população sobre a riqueza da cultura nacional. Tais palestras devem usar exemplos objetivos, como a valorização da bossa-nova no exterior, a fito de desmistificar o complexo de “vira-lata”. Além disso, o Poder Executivo, mediante maiores repasses financeiros, deve aumentar o orçamento para que a preservação e divulgação dos patrimônios culturais seja mais eficiente.