Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 15/10/2020
Em menos de um ano, o mundo assistiu dois monumentos históricos serem incendiados: o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em 2018, e a Catedral de Notre-Dame, em Paris, em 2019. Apesar de ambas as tragédias representarem grandes perdas mundiais, o incêndio no Museu Nacional teve menor repercussão no Brasil. É nesse sentido que se observa a irrelevância dada ao passado no país. A preservação do patrimônio histórico, importante na manutenção da memória e na construção da identidade de um povo, vem sendo ignorada, consequência não apenas da indiferença, mas também do desprezo do brasileiro pelo patrimônio nacional frente ao de outros países.
Antes de tudo, é válido ressaltar que a definição de patrimônio é tudo aquilo considerado valioso à identidade de um povo, ou seja, essencial a sua história. Portanto, conservar patrimônios significa relembrar e relevar o passado de um grupo e, assim, reconhecer sua existência. A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi, em um Tedtalk homônimo de seu livro “O perigo de uma história única”, relembra vezes em que pessoas, por não conhecerem a real história da Nigéria, assumiam como verdades absolutas o retrato dos países africanos feito pela mídia. É nesse contexto que a nigeriana chama a atenção do público para o perigo de se sustentar em apenas uma versão da história, e é nesse sentido que a preservação do patrimônio histórico se mostra fundamental. Sem a valorização e o conhecimento do passado, um povo passa a ser dependente da visão de outros sobre sua própria história, perdendo sua identidade e, eventualmente, até mesmo sua importância.
Apesar disso, é clara a indiferença da maioria dos brasileiros frente a preservação da memória nacional. Parte desse desapreço é explicada pelo falta de incentivo ao saber histórico. Nas escolas, por exemplo, a disciplina História não passa de apenas mais uma na grade curricular, e, portanto, não incita a curiosidade pela memória brasileira. O cronista Nelson Rodrigues, por sua vez, atribui tal desinteresse, e até mesmo desprezo, ao Complexo de Vira-Lata, que basicamente insinua que qualquer elemento cultural brasileiro é inferior aos de outros países - o que explica a menor relevância dada ao incêndio no Museu Nacional pelos brasileiros, mas, além disso, reforça o descaso à preservação do patrimônio histórico nacional.
Concluindo, objetivando preservar a identidade e memória do país, torna-se imprescindível a ação da Secretaria Especial da Cultura e do Ministério da Educação de promover e incentivar o gosto pela história e cultura brasileira. Por meio de atividades extra-classes nas escolas, como excursões, além também de uma grade curricular interdisciplinar, juntando assuntos das áreas da Arte, da História e da Geografia, construir-se-á uma geração mais zelosa pelo seu país.