Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 01/10/2020
A Constituição federal do Brasil, de 1988, classifica o patrimônio histórico cultural como bens de natureza material e imaterial, que carregam rastros referente à identidade, ação e memória dos distintos grupos da sociedade brasileira. Apesar dessa riqueza de significados, a preservação desses tesouros enfrenta graves entraves, fato que é fruto da indiferença do Estado e da desvalorização de tais, por parte da população.
Mormente, é notória a forma desrespeitosa com a qual o poder executivo lida com a preservação do patrimônio, com poucos investimentos para reparos estruturais( no caso dos bens físicos ) e mínimo incentivo a visitas ou prática. Desse modo, o resultado é a degradação e o esquecimento desses pertences da sociedade brasileira, tal qual ocorreu no Museu Nacional em 2018, no Rio de Janeiro, no qual houve um incêndio causado por um curto-circuito que levou a destruição de mais de dez mil itens que eram parte da história do país.
Analogamente, a sociedade ainda sofre com o eurocentrismo, enraizado desde os tempos coloniais, assim como salientou Mario de Andrade, em seu livro “Macunaíma”, que descreve um protagonista que nasce preto - imerso em vários elementos de distintas culturas nacionais - mas que se torna branco, loiro e de olhos azuis. Em conformidade com a ótica de Andrade, é correto dizer o descaso da população para com o patrimônio histórico cultural da nação, em virtude da supervalorização de elementos estrangeiros, é um forte entrave contra a conservação dessas riquezas.
Portanto, tendo em vista que a indiferença do Estado e a desvalorização da sociedade dificultam a preservação do patrimônio histórico cultural, é necessário que haja mudanças nas políticas administrativas de tais. Para tanto, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) deve elaborar diretrizes que aumente a inspeção técnica, no caso dos bens materiais , e o incentivo à visitas de lazer e à prática( proporcionando o conhecimento e compreensão da importância desses pertences, por parte da população ), por meio de campanhas de divulgação nas mídias e de projetos beneficentes. Destarte, a consequência seria um maior zelo pelos bens histórico culturais, a diminuição da probabilidade de acidentes, a valorização por parte da população nacional e a preservação adequada.