Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 01/10/2020

Émile Durkheim, considerado o pai da sociologia, afirma que “o indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido, a saber quais são suas origens e as condições de que depende”. Sob essa ótica, é inegável a crucialidade dos bens materiais e imateriais que registram o passado de uma nação para a formação da atual geração e as subsequentes. Contudo, ao se observar os acontecimentos recentes em relação aos patrimônios brasileiros, é evidente o não apreço da população pelo seu legado histórico e cultural, que é catalisado por uma formação educacional pouco atrelada a valorização da memória nacional.

A priori, é valido destacar que o baixo consumo cultural nacional corrobora para esse cenário. De acordo com o escritor brasileiro Nelson Rodrigues, o povo brasileiro sofre de complexo de vira-lata, pois despreza sua própria cultura e valoriza a estrangeira. Sendo assim, o não desejo da população em conhecer sua própria história, assim como em valorizar e consumir aquilo que sua cultura produz, é refletido na negligência estatal e no desinteresse empresarial em investir e conservar o patrimônio nacional, tendo por consequência a degradação dessa herança.

Por conseguinte, a displicência governamental também corrobora na decadência da estima brasileira pelo legado nacional. Nessa perspectiva, devido a carência de sistemas que promovam uma educação cultural nas escolas, estudantes se tornam cidadãos inconscientes, e consequentemente negligentes, a respeito da história e cultura de seu país, tornando-se indiferentes acerca da integridade dos patrimônios brasileiros. Pois, como já disse o educador Paulo Freire, “se a educação sozinha não muda a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”.

Infere-se, portanto, que a atual visão brasileira com relação aos patrimônios históricos e culturais dificulta sua preservação. Logo, a mídia deve elaborar reportagens que denunciem a postura anticonstitucional do Estado, que evidência despreocupação em garantir a integridade do legado histórico e cultural brasileiro, além de promover discussões em canais abertos, com o auxílio de antropólogos e historiadores, que debaterão a importância da preservação da memória do país para a formação do brasileiro, a fim de formar uma população menos indiferente sobre as memórias do seu país. Além disso, A Base Nacional Comum Curricular deve ser alterada, com a inclusão da obrigatoriedade das escolas em promoverem uma educação básica atrelada a um processo de formação cultural, a fim de formar uma sociedade mais consciente sobre o passado do país. Só assim, será possível que os brasileiros conheçam o contexto em que estão inseridos e suas origens, para que aquilo afirmado por Durkheim seja atingido.