Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 03/10/2020
O Coliseu de Roma, grande símbolo da Antiguidade Clássica, tem consolidado em si parte importante da história que conta a identidade de um povo em épocas passadas. De mesma forma, o patrimônio histórico cultural brasileiro elucida os eventos vivenciados ao longo de toda formação nacional, contudo, sua preservação se encontra debilitada, colocando em risco a perda da biografia “viva” do país. Assim, é necessário compreender como se expressa estes símbolos arquitetônicos na sociedade e a ineficácia estatal em lidar com a problemática.
Em primeiro plano, vale ressaltar que as construções que marcam a história brasileira se encontram de diferentes formas. Nesse sentido, obras, como praças, edifícios, e monumentos, a exemplo do Cristo Redentor no Rio de Janeiro e a Pampulha na grande Belo Horizonte, montam as imagens que compõe traços da “fachada brasileira” e, contam parte da cultura das cidades citadas. Sob tal ótica, o pensador chinês Confúcio afirma que a cultura está acima da distinção de condição social, e, devido a isso, pertence a todos. Assim, nota-se que por fazer parte da realidade e acontecimentos de um povo, é imprescindível que haja comoção da sociedade para com os cuidados com os bens materiais físicos nacionais.
Por conseguinte, a ineficiência do Estado em lidar com a problemática é outro fator agravante. Posto isso, vale ressaltar que a Constituição de 1988 garante pelo poder público a segurança dos patrimônios físicos do Brasil. Entretanto, ao analisar episódios, a exemplo do incêndio no Museu Nacional, localizado no Rio de Janeiro, percebe-se que há uma falha governamental em assegurar o que está na lei, pondo em risco a perda de grande parcela de acervos históricos que constituem a identidade da nação. Desse modo, se ratifica a ideia do sociólogo Charles Mills, que diz que a maior parte dos problemas sociais é devido a negligência estatal, ou seja, à medida que há um abandono dos governantes com relação a cultura, mais a sociedade terá sua história apagada.
Diante do exposto, é evidente que a preservação do patrimônio histórico cultural necessita do compartilhamento de responsabilidades com respostas sistêmicas. Nesse viés, cabe ao Governo Federal - entidade responsável pelas leis -, por intermédio do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Cultural (Iphan) em parceria com as prefeituras, elaborar planos de fiscalização, bem como restauração, mais rígidos e adaptados as diferentes localidades, para que haja a prevenção e restauração dos diferentes pontos culturais do país, a fim de permitir a perpetuação da identidade nacional expressa nas diferentes regiões da pátria. Assim, será possível consolidar os símbolos e marcos que exprimem a grandeza e história nacional, tal como o Coliseu de Roma em seu país.