Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 26/10/2020

O escritor Guy Debord, por meio de sua obra “Sociedade do Espetáculo”, expressa como seria a sociedade ideal, na qual todos os cidadãos gozam de discernimento sociocultural. Contudo, essa sociedade proferida pelo escritor está muito distante da realidade brasileira, visto que inúmeros problemas, como a desvalorização do patrimônio histórico nacional, dificultam que o país alcance o patamar proposto por Guy. Diante disso, fatores como o descaso governamental e a desigualdade social agravam essa situação.

Sob esse viés, ressalta-se, sob um prisma político, a omissão estatal no tocante à preservação da arte, cultura e patrimonial do país. De acordo com a Folha de São Paulo, no mesmo período que ocorreu o incêndio no Museu Nacional (que enfrentava dificuldades financeiras geradas pelo corte em seu orçamento), o governo destinou bilhões para estádios de futebol e obras desnecessárias e inacabadas. Nesse sentido, percebe-se que o poder público se faz ausente como executor de encargos fundamentais, uma vez que este não consolida políticas públicas voltadas à valorização e conservação histórica nacional. Logo, com urgência, as autoridades precisam mudar o seu posicionamento diante o entrave.

Outrossim, é importante compreender o efeito da desigualdade entre as classes no impasse. Segundo o filósofo São Tomás de Aquino, todos indivíduos de uma sociedade democrática possuem mesma importância, além dos mesmos direitos e deveres. No entanto, o acesso de pessoas de baixa renda em museus e centros culturais ainda é desigual. Isso ocorre devido ao preço alto, a distância e a elitização da cultura. Dessa forma, famílias mais pobres, muitas vezes, não desenvolvem hábitos relacionados à valorização artística. Assim, evidencia-se a importância de medidas eficazes parar reverter essa problemática.

Em suma, a desproteção dos bens materiais e imateriais é um problema árduo e atual, por isso, deve ser resolvido pressurosamente. Sendo assim, é dever do Governo Federal, na figura do Ministério da Cultura - órgão que ministra diretamente a proteção de patrimônios culturais e históricos do Brasil - criar, por meio de parcerias com a mídia, escolas e universidades, campanhas informativas e inclusivas, a fim de obter maior interesse e reflexão sobre a importância da valorização da arte e cultura do país. Com essa ação, o imbróglio será erradicado e a sociedade alcançará o que foi visado por Guy Debord.