Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 17/10/2020

Na visão do filósofo Marshall MacLuhan, com a globalização, o mundo tende a se tornar uma “aldeia global”, visto que a alta difusão das informações provoca a homogeneização das culturas. Sob essa ótica, compreender o atual cenário da preservação dos patrimônios históricos, os quais são importantes para reafirmar a identidade cultural do país é substancial para a promoção de resoluções, uma vez que o abandono dos bens imateriais e o descaso estatal são notados.

É preciso considerar, antes de tudo, que o afastamento da sociedade em relação aos bens não materiais persiste intrinsecamente relacionado à lógica capitalista. Nesse sentido, em um contexto de “indústria cultural”, as pessoas buscam aquilo que é mais lucrativo. Prova disso, é que se torna cada vez mais comum a substituição de festas regionais por shows de cantores famosos, de comidas tradicionais por “fast-foods”, de peças teatrais por filmes prestigiados, dentre outros. Tal circunstância, que vai contra os princípios do Artigo 215, da Constituição Federal, o qual busca apoiar e incentivar a difusão de quaisquer manifestações culturais, demonstram a urgência de mudanças no corpo social para sanar essa problemática.

É válido ressaltar, ainda, que a conservação dos bens materiais do Brasil depende de uma boa gestão financeira. Todavia, é notável a negligência governamental, dado que nos últimos anos houve uma diminuição significativa do dinheiro dedicado aos cuidados com essas estruturas devido aos cortes causados pela Emenda Constitucional do Teto dos Gastos Públicos (PEC). Esse fato teve como uma de suas consequências o incêndio do Museu Nacional, de acordo com o ex-ministro da Cultura. Tal conjuntura, em consonância com a Teoria Contratualista do filósofo Hobbes, o qual salienta que Estado e indivíduo devem fazer um contrato social para que ambos possam se desenvolver, ratifica a necessidade de ações efetivas para minimizarem essa contenda.

Evidencia-se, portanto, que o afastamento da população e a má administração pública são desafios para a preservação dos patrimônios brasileiros. Para contrapor as situações, cabe ao Ministério da Educação, em ação conjunta à mídia, elucidar os cidadãos quanto a importância dos bens culturais, por meio de informativos nos programas televisivos, os quais terão a finalidade de estimulá-los a um maior interesse sobre eles. Outrossim, o Poder Executivo deve conceder mais verbas, por intermédio de subsídios do governo, os quais serão destinados a serviços básicos de manutenção e segurança, a fim de proteger os ambientes que contêm os acervos nacionais. Destarte, será possível ir contra tais impasses, na medida em que o legado de Hobbes será um ensinamento.