Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 27/10/2020
A Constituição Federal promulgada em 1988 prevê em suas páginas a preservação e proteção dos patrimônios culturais brasileiros. No entanto, na realidade, não é o que acontece. Segundo o site de informações G1, o Brasil é um dos países da lista das 8 maravilhas do mundo que menos envia recursos para a manutenção e cuidados de seus outros patrimônios históricos. Essa situação nefasta ocorre não somente pela desvalorização da arte e cultura brasileira, mas também da ausência do Estado no envio de verbas e leis que melhor as protejam.
Em primeira análise, é importante ressaltar a desvalorização que a cultura brasileira sofre desde os seus primórdios, alimentada por um olhar eurocêntrico. Em 2018, após o incêndio que devastou o Museu Nacional no Rio de Janeiro, uma pesquisa realizada pelo Fantástico, revelou que mais de 160 mil brasileiros visitaram o Louvre em Paris apenas naquele ano, um número maior do que os que visitaram o Museu Nacional no mesmo período, destes, mais de 40% revelaram que nunca sentiram vontade ou curiosidade de o visitar antes de seu incidente. Nessa perspectiva, em consonância com a socióloga Shania Treuman, tais contrapostos, revelam a forma em que o elitismo presente na moldagem da cultura, terminaram por criar um idealismo da arte que deve ser valorizada. De tal forma, torna-se notório apontar que supervalorização do europeísmo, acabam por causar o afastamento da nossa própria cultura e identidade, o que precisa ser mudado.
Paralelo a isso, tem-se a constante ausência do envio de verbas e medidas protetivas para que o pouco que resta da história do país em artefatos e prédios históricos não acabe em chamas, como ocorreram em espaços culturais de São Paulo e Rio de Janeiro nos últimos 5 anos, ligados diretamente a falta de manutenção pelos quase nulos recursos enviados pelo Estado. Tais situações, em conjunto com a PEC 55 de corte de gastos que legitima o ato extremo de descaso com os patrimônios nacionais, revelam a falta de compromisso com a proteção a estes, contrariando o que uma vez foi previsto na Constituição Cidadã, e infelizmente, resultando em uma perda histórica imensa para toda a sociedade.
Depreende-se, portanto, a necessidade de converter a atual situação. É preciso que o Estado, por intermédio de parcerias público-privadas, promova ainda na primeira educação a expansão de excursões para locais de importância cultural ao redor do país, e também a realização de eventos festivos dentre os municípios que convidem os cidadãos destes a conhecer mais sobre a história local. Além disso, é primordial que a Câmera, por meio de emendas passe a garantir o envio de recursos para a preservação dos patrimônios nacionais. Espera-se, com o conjunto dessas ações, não apenas criar o hábito de admiração da nossa cultura, mas também a preservar para as gerações futuras.