Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 25/10/2020

O incêndio ocorrido, em 2018, no Museu Nacional do Rio de Janeiro - que abrigava mais de 20 milhões de itens - expôs para o Brasil e para o mundo, como o governo do país não trata com o devido valor, a herança histórico-cultural de sua pátria. Nesse cenário, faz-se necessário discutir as causas e os impactos dessa negligência, no contexto nacional.

Em primeiro plano, cabe destacar a limitada verba destinada para a manutenção de tal patrimônio. Para efeito de comparação, de acordo com a Organização Não Governamental Contas Abertas o dinheiro gasto com a preservação do museu, no ano em que se incendiou, não pagaria um por cento das despesas com o Congresso Nacional. Isso demonstra a disparidade entre esses setores, e de como o governo teria condições de melhorar os investimentos nos cuidados com o legado histórico do Brasil.

Em segunda análise, vale ressaltar o conceito de “complexo de vira-latas”, criado pelo dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues. Ele descreve o fenômeno no qual seus compatriotas inferiorizavam a própria cultura, em relação a de outros povos. Prova desse comportamento é o levantamento feito pela BBC News Brasil: o número de visitantes no Museu Nacional, em 2018, foi cerca de cinquenta por cento inferior ao de visitantes brasileiros no Museu do Louvre, na França. Esse fato é alarmante, pois demonstra um padrão que se retroalimenta, ou seja, quanto menos os brasileiros visitam esses espaços nacionais, menos tendem a fazê-lo. Por consequência, o governo não investe nesse âmbito, e isso se reflete negativamente na sociedade, pois, um povo que não conhece sua História está fadado a repetir os erros de seus antepassados.

Portanto, urge a necessidade de se atenuar essa desatenção com o Patrimônio histórico-cultural brasileiro. Para tal finalidade, é necessário que o Ministério da Cidadania fomente a preservação, e o acesso aos espaços históricos e culturais do país. Isso pode ser feito por meio de anúncios na televisão aberta, que informem às pessoas sobre os museus de suas cidades. Adicionalmente, pode ser criado um programa de excursões gratuitas, no qual voluntários sirvam de guias turísticos, passando por praças e locais históricos das cidades, falando sobre suas respectivas formações. Para que assim, o brasileiro dê mais valor à sua História, e esses espaços recebam sua devida preservação e investimento.