Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 26/10/2020
O movimento modernista brasileiro, que ganhou notoriedade após a Semana de Arte Moderna de 1922, defendia uma identidade artística nacional, livre de influências dos padrões europeus. Na atualidade, a autonomia cultural brasileira encontra-se em risco: a base histórica da arte nacional é negligenciada pelo Estado e pela mídia, o que causa a valorização do conteúdo internacional em detrimento do brasileiro, esquecido pelo público e em condições de manutenção não favoráveis a sua conservação. Faz-se necessário resolver tal questão, para que não se percam os esforços dos artistas que, no século XX, questionaram imposições para buscar uma arte verdadeiramente nacional.
A priori, verifica-se que a gestão governamental é omissa na conservação da arte nacional, investindo pouco em museus e na preservação de tais espaços de conhecimento. Em 2018, o Museu Nacional, no Rio de Janeiro sofreu um grave incêndio, que destruiu grande parte de seu acervo secular. Esta tragédia foi causada pelas más condições de estrutura do Museu, que recebia uma verba do Estado insuficiente para seu funcionamento, o que prejudicou sua manutenção, causando, assim, o início do fogo. Desse modo, faz-se necessário que o Estado aumente seu aporte para a promoção de espaços culturais, importantes na disseminação do conhecimento artístico nacional.
Ademais, a mídia é falha na propagação da cultura nacional e em incentivar o consumo de arte, brasileira. Na televisão, programas de formatos internacionais, como o Masterchef, que privilegia a culinária internacional em detrimento da brasileira, e o The Voice, que em seu portfólio possui muitos artistas que cantam apenas músicas estrangeiras, são dominantes nos horários nobres. A arte brasileira torna-se, assim, restrita aos horários de menor audiência, o que leva a uma redução no consumo de tal produto nacional, que, dessa forma, perde espaço para o internacional, amplamente disseminado, causando a perda da identidade nacional, que dá lugar a uma cultura globalizada. É preciso, portanto, que a arte brasileira seja valorizada pelas mídias, de modo que não caia no limbo do esquecimento.
Para solucionar, enfim, tal problemática, urge que a Secretaria Especial da Cultura, em parceira com a mídia televisiva e digital, promovam a arte nacional contemporânea e a histórica. Isso poderia ser feito com programas de entretenimento propagados em horário de grande audiência que mostrassem os museus e as obras, explicando seu significado e importância histórica, a fim de suscitar na população o desejo de conhecer as manifestações artísticas brasileiras. Dessa maneira, aumentaria-se a visitação nos espaços, que, com maior público, obteriam renda suficiente para sua manutenção estrutural e para, assim, manter a consciência artística do país.