Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 02/11/2020
Durante a Colonização espanhola da América, século XV, diversas estátuas e monumentos do povo local foram destruídos, com o intuito de apagar da memória dos cidadãos sua identidade cultural e, assim, facilitar o processo de apropriação territorial e de riquezas. Tal cenário, no entanto, faz-se presente na atual sociedade brasileira, visto que a preservação do patrimônio histórico cultural do país é posta em segundo plano pelo Poder Público, fomentando, dessa maneira, destruições irreparáveis à memória da sociedade. Esse cenário nefasto ocorre não só em razão do alheamento do Estado quanto a importância da identidade cultural, mas também na falta de pensamento crítico do corpo social em relação ao valor da preservação da sua história.
Em primeira análise, vale destacar que o artigo 6° da Constituição Federal assegura a todos os indivíduos o amplo acesso à cultura. Entretanto, a decadente postura do Estado brasileiro em ratificar tal direito social tem posto em xeque tal garantia, seja pelo ínfimo investimento em preservação dos centros culturais, seja por não compreender a relevância de tal ato à soberania cultural de um povo. Com efeito, as consequências de tal atitude podem ser observadas no incêndio que devastou o Museu Nacional do Rio de Janeiro, em 2018, o mais antigo centro de ciência do país. Esse panorama lamentável destrói o elo que é estabelecido entre a arte e à sociedade, ao apagar, de forma sutil e impetuosa, o sentimento de pertencimento e de um corpo social unificado. Evidencia-se, portanto, que, enquanto o Estado não exercer seu papel de mediador social, a questão tomará proporções cada vez maiores e, desse modo, minar o envolvimento social.
Além disso, a falta de pensamento crítico do corpo civil acerca de seus direitos e deveres sobre a preservação cultural nacional colabora para a manutenção do quadro vigente. Nesse sentido, constata-se que, uma vez que a sociedade não pressiona o Poder Público, com o fito de efetivar garantias elencadas na Carta Magna, a situação permanece estática e, por consequência, a população sofre os efeitos do abandono da preservação de sua identidade cultural.
Verifica-se, então, a necessidade de preservar o patrimônio histórico cultural. Para isso, faz-se imprescindível que o Governo Federal, por meio de sólidos investimentos, torne possível a manutenção e preservação dos acervos culturais do país, para que não haja a perca da consciência de pertencimento social. Assim, a população seguirá unificada e amparada. Paralelamente, cabe às escolas, por intermédio de palestras, a formação de indivíduos críticos quanto ao seu papel social, com o objetivo de reduzir as manipulações governamentais e, assim, cobrar ao Estado seus deveres. Dessa forma, tornar-se-á possível a preservação da identidade nacional.