Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 03/11/2020

A Constituição Federal promulgada em 1988, prevê em suas páginas, a preservação e proteção dos patrimônios culturais brasileiros. No entanto, na realidade, não é o que acontece. Segundo o site de informações G1, o Brasil é um dos países da lista das 8 maravilhas do mundo que menos envia recursos para a manutenção de seus outros patrimônios históricos. Essa situação nefasta ocorre não somente pela desvalorização da arte e cultura brasileira, mas também da ausência do Estado no envio de verbas e leis que melhor as protejam.

Em primeira análise, é importante ressaltar a desvalorização que a cultura brasileira sofre desde seus primórdios, alimentada por um olhar eurocêntrico. Em 2018, após o incêndio que devastou o Museu Nacional no Rio de Janeiro, uma pesquisa realizada pelo Fantástico, revelou que mais de 160 mil brasileiros visitaram o Louvre em Paris apenas naquele ano, um número maior do que os que visitaram o Museu Nacional no mesmo período, destes, mais de 40% revelaram que nunca sentiram vontade ou curiosidade de o visitar antes de seu incidente. Nessa perspectiva, em consonância com a socióloga Shania Treyman, tais contrapostos revelam a forma em que o elitismo presente na modelagem da cultura, terminam por criar um idealismo da arte que deve ser valorizada. De tal forma, torna-se notório apontar que a supervalorização do europeísmo, acaba por causar o afastamento e desinteressa da nossa própria cultura e identidade, o que precisa ser mudado.

Paralelo a isso, tem-se a constante ausência do envio de verbas e medidas protetivas para que o que resta em artefatos e prédios históricos no país não acabe em chamas, como os casos que ocorreram em espaços culturais de São Paulo e Rio de Janeiro nos últimos 5 anos, ligados diretamente à falta de manutenção pelos quase nulos recursos enviados pelo Estado. Tais situações em conjunto com a PEC 55 de corte de gastos que legitima o ato extremo de descaso com os patrimônios nacionais, revelam a falta de compromisso com a proteção a estes, indo na contramão das palavras uma vez previstas na Constituição Cidadã e, infelizmente, resultando em uma perda histórica imensa para toda a sociedade.

Depreende-se, portanto, a necessidade de converter a atual situação. É preciso que o Estado, por intermédio de parcerias público-privadas, promova ainda na primeira educação a expansão de excursões para locais de importância cultural ao redor do país, com visitas interativas e realizações de feiras educacionais que promovam um maior conhecimento sobre a história local. Além disso, é primordial que a Câmara, por meio de emendas passe a garantir o envio de recursos para a preservação dos patrimônios nacionais. Espera-se, com o conjunto dessas ações, não apenas criar o hábito de admiração da nossa cultura, mas também a preservar para as gerações futuras.