Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 05/11/2020
Em resposta às destruições da Catedral da Sé, na Bahia, e do Monte Castelo, no Rio de Janeiro, na década de 1930, surgiu o IPHAN - Instituto de Patrimônio Artístico e Cultural Nacional - como política de preservação. Nessa época, com a chegada da modernização, o que era antigo perdeu seu valor exterior, tornando-se, erroneamente, ultrapassado aos olhos da população vigente. Apesar da criação de Institutos para cuidar desses bens, ainda há forte desconhecimento da população acerca dos patrimônios, e, em casos extremos, possibilitam a má conduta de depredação. Nesse sentido, para entender tal comportamento social, é importante analisar as raízes dessa problemática.
Primeiro, vale salientar a ausência de interesse, por partes das autoridades públicas, em preservar os patrimônios culturais. Tal fato permanece, porque há também a negligência da maioria da população em relação a cultura. Dessa forma, como um círculo vicioso, o valor agregado é esquecido, na medida em que novas gerações surgem, por consequência da distância temporal, e a depredação naturaliza-se na sociedade. Prova de que a consciência social exerce forte influência na manutenção histórica, foi a premiação dada pelo IPHAN à Associação de Moradores de Vila Maria Zélia, em São Paulo, por ações de preservação cultural de casas e boutiques do bairro, que carregam a história do município. Dessa maneira, observa-se a necessidade de ampliar as informações no âmbito social, para que, através do conhecimento, seja possível cobrar das diversas esferas públicas, práticas de preservação patrimonial.
Convém pontuar, ainda, a influência da questão identitária dos patrimônios culturais para uma região. Segundo Katia Borgéa, em uma entrevista à TV Brasil, em 2017, a então presidente do IPHAN explicitou que a informação sobre o valor sociocultural dos patrimônios reforça a construção da identidade coletiva e acentua a relação de zelo aos bens. Na ausência disso, ocorre o que os noticiários reportam constantemente, como roubo de peças de esculturas, pixação em prédios históricos e outros vandalismos. Nesse contexto, a relação social influencia a manutenção de bens que constroem o passado de uma nação.
É fundamental, portanto, que medidas sejam tomadas para evitar a contínua depredação de patrimônios culturais. Para isso, as escolas, em parceria com as Secretarias da Cultura, devem promover, periodicamente, aulas dinâmicas, desde o ensino infantil, em locais históricos, de acordo com cada região, para promover a manutenção dos valores atribuídos àquele bem, e incentivar iniciativas de preservação social, que abrangem desde ao cuidado em descartar lixos nesses locais, quanto ações violentas de depredação. Assim, os Institutos de preservação serão aliados e não os únicos interessados em proteger a história.