Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 25/07/2021
O descaso do brasileiro com o patrimônio histórico, cultural e artístico nacional.
Durante a expansão do processo de globalização no século XX, a unificação do patrimônio cultural, linguístico e artístico foi marcante, acompanhada pela subsequente hegemonização de determinadas culturas, com base na influência de cada país no cenário global. A partir desse fato, o processo de desvinculação do brasileiro com a própria cultura, seguida pelo enaltecimento exacerbado do estrangeiro foi acentuado pela indústria midiática e pela propaganda. Nesse sentido, destacam-se o desinteresse da sociedade e a negligência do Estado como vetores de perpetuação da depreciação da cultura local. Assim, são patentes medidas para suscitar a valorização da cultura nacional pelo cidadão.
A princípio, é importante ressaltar que a indiferença da população com a sua propriedade cultural é um impasse para a valorização dela. Ilustra esse quadro a obra “Triste fim de Policarpo Quaresma”, na qual Policarpo é internado por supervalorizar o patrimônio histórico e cultural brasileiro. Fora da ficção, nota-se que a sociedade brasileira, analogamente à obra, enfrenta sérias dificuldades de assimilar a importância do enaltecimento dos fatores que a particularizam enquanto nação. Isso porque o brasileiro é cada vez mais exposto à cultura estrangeira precocemente, fato que induz o cidadão à sutil incorporação de costumes e aspectos estrangeiros no cotidiano, conforme visto, à título de exemplo, pela gradual incorporação de estrangeirismos na língua e no conteúdo musical brasileiro. Destarte, é patente que a desvinculação do sujeito com a sua identidade nacional prejudica o desenvolvimento do senso de civilidade na população.
Outrossim, a negligência estatal na tomada de ações em prol da preservação do patrimônio nacional ratifica essa problemática no país. Nessa perspectiva, consoante filósofo Icílio Vanni, existem duas forças psicológicas que concorrem para a formação dos costumes: o hábito e a imitação. Nesse viés, percebe-se que a perpetuação do descaso estatal em relação à proteção de espaços de relevância cultural e histórica, além de fomentar a apatia do indivíduo com o próprio lastro cultural, inviabiliza a conservação desses espaços da maneira necessária. Nesse contexto, a ausência de cuidados e investimentos voltados para a manutenção desses locais é um erro, tendo em vista que a má conservação desses ambientes pode dar margem a perdas imensuráveis à cultura e à história do povo brasileiro, conforme visto pela grande perda material e simbólica subsequente do incêndio do Museu Nacional. Dessa forma, faz-se evidente a perda da identidade do povo, consequente do descompromisso com a própria identidade.
Portanto, é patente o caráter essencial da desconstrução desse atual panorama, suportado pelo descaso e desinteresse da sociedade. Logo, é mister que o Ministério da Educação promova uma modificação curricular nas escolas brasileiras, por meio da inserção de uma nova disciplina denominada de “Instrução cultural”, que, mediante o uso de jogos educativos, suscite o conhecimento da cultura nacional precocemente no cidadão, com o fito de despertar o senso de civilidade do jovem em relação à sua própria cultura e identidade.