Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 05/12/2020

A obra literária “1984”, escrita por George Orwell, revela a importância da memória para a consolidação de uma nação, ao passo que por tolher o senso de passado civil, o ditador “Grande Irmão” abalou também a criticidade social. Analogamente, fora das páginas, a manutenção da historiografia cultural tupiniquim cunha-se extremamente relevante à intelectualidade cidadã, podendo influenciar em decisões futuras e nos parâmetros de antiguidade. Entretanto, seja pela sensação de não pertencimento populacional aos acervos públicos ou pela negligência estatal em zelar pelos patrimônios, a identidade artística nacional sofre grandes desamparos e, por isso, carece de cuidados.

Previamente, é necessário salientar a desidentificação populacional com os centros culturais. À medida que o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro foi criado, durante o Segundo Reinado, a construção de patrimônios europeizados afastaram a presença das camadas sociais mais baixas, visto que a elucidação e valorização da cultura popular não foi efetivada. Prova disso é o Museu Nacional de Belas Artes, localizado no Rio de Janeiro, que expõe até os dias hodiernos mimesis de estátuas gregas, mas é carente de expressões nacionais, como a pixação e o frevo. Segundo o filósofo Anthony Giddens, para toda medida governamental, é necessário respaldo social. Desse modo, promover o reconhecimento civil é mister para a que a população exija a manutenção dos espaços públicos.

Ademais, a baixa ingerência governamental em preservar os recintos tombados deterioriza a ancestralidade local. Conforme o investimento em reforma e manutenção dos prédios públicos é escasso, o risco de possíveis desastres é alarmado. Assim, casos como o incêndio do Museu Nacional, em 2018, tornam-se cada vez mais prováveis de ocorrer. Dessa forma, os indivíduos desconhecem os acontecimentos ocorridos no passado, podendo ter dificuldade em compreender o presente e optar por boas decisões no futuro. Segundo o filósofo John Locke, no entanto, é dever do Estado oferecer mecanismos para o bem-estar social. Logo, ofertar mais recursos aos patrimônios faz-se essencial.

Portanto, ações são indispensáveis para garantir o cuidado patrimonial tupiniquim. Dessa forma, a exposição de arquivos populares em salas ociosas dos principais museus, por meio de concursos realizados pelo Ministério da Educação e Cultura para a seleção das obras, é essencial a fim de aumentar a identificação e visita populacional. Para isso, propagandas televisivas poderiam divulgar a disputa e ingressos gratuitos em um dia da semana deveriam ser ofertados. Somado a isso, a promoção de uma cota mínima de recursos anuais para a manutenção dos acervos estatais, por intermédio de uma ementa legislativa feita pelo Congresso Nacional, é crucial no intuito de evitar o baixo repasse de verbas. Apenas assim “1984” não será realidade no Brasil.