Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 13/12/2020
Nelson Rodrigues, escritor brasileiro do século XX, criou o termo “complexo de vira-latas”, o qual define a falta de autoestima dos brasileiros, que sempre valorizam a cultura estrangeira e desvaloriza a da própria nação. A reflexão mostra-se atual, visto que a maioria dos patrimônios históricos culturais do Brasil encontram-se em situações precárias. Nesse contexto, questões como a depredação do patrimônio arquitetônico e a negligência estatal tornam-se desafios de máxima urgência no País.
Em primeiro plano, a falta de discussão sobre o assunto contribui para a violação das heranças culturais. A esse respeito, segundo o coordenador da Secretaria Municipal de Porto Alegre, patrimônios estão sofrendo ações de vandalismo em diversos municípios. Ocorre que a ausência de debates acerca da importância da valorização dos bens materiais e imateriais da cultura de uma nação, principalmente nas escolas, leva à formação de indivíduos alienados e que não se identificam com a herança histórica do próprio povo, e assim, abre caminho para que essas pessoas cometam atos de vandalismo. Dessa forma, não é razoável que a carência de discussões nos colégios sobre o tema coloque em risco os bens históricos culturais de um povo.
De outra parte, a negligência por parte do Estado corrobora a problemática. Sob essa ótica, em 2018, houve um incêndio no Museu Nacional no Rio de Janeiro, o qual destruiu grandes proporções dessa instituição que carrega mais de duzentos anos de história. Acontece que esse cenário coloca em evidência os empecilhos que inviabilizam a preservação dos patrimônios, como a falta de investimentos por parte do poder público voltado para a manutenção, restauração e conservação predial. Assim, enquanto não houver um orçamento estatal que garanta o cuidado do patrimônio cultural, o Brasil será obrigado a conviver com perdas incalculáveis da herança cultural do País.
Urge, portanto, medidas as quais preservem os patrimônios nacionais. Dessa maneira, o Ministério da Educação, em parceria com as instituições de ensino, deve realizar colóquios anuais, por meio da participação de historiadores, os quais mostrem a importância dos patrimônios, seja materiais ou imateriais, na construção da identidade de uma nação, a fim de formar cidadãos instruídos e incluídos na história de seu povo. Ademais, o poder público precisa destinar recursos às instituições culturais, por intermédio da disponibilização de verbas que atendam à demanda, com o intuito de assegurar a manutenção e a conservação. Ainda, o Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) pode intensificar os tombamentos, expandindo suas atividades nas grandes cidades e regiões interioranas. Dessarte, com a conservação e valorização, de fato, do patrimônio histórico cultural, o Brasil acabará com o “complexo de vira-latas” levantado pelo dramaturgo.